Não cabe no entendimento do senso comum como os governos não conseguem deter a destruição da Mata Atlântica que, entre 2005 e o ano passado, sofreu uma devastação de 102 mil hectares. Nem se trata da quase inacessível Amazônia, mas de extensa faixa litorânea, povoada em muitos pontos por populações urbanas. Isto está ao alcande dos olhos dos organismos controladores, mas nos estados do Paraná, Santa Catarina, Bahia e Minas Gerais foi onde o desrespeito a essa floresta nativa mais se acentuou. Só o Paraná desflorestou cerca de 10 mil hectares.
Já no período de 2000 a 2005 a destruição havia sido idêntica, e oito anos foram decorridos sem ninguém haver feito nada para conter essa onda. O levantamento é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Fundação SOS Mata Atlântica, informando que essas derrubadas ocorrem pela expansão da área urbana. Assim essa reserva vai sendo invadida e derrubada. Na floresta amazônica são os extrativistas de madeira e os agricultores e pecuaristas, que vão derrubando o que podem - e queimando - sem que um freio lhes seja imposto, e na grande orla e circunvizinhanças são os invasores urbanos.
Esta realidade (e nem se fala da Amazônia) demonstra que não há mesmo interesse governamental em proteger essas riquezas, apesar de haver um ministério incumbido de coordenar ações protetoras e a nação dispor de um exército dotado de homens e equipamentos, mas que não se mobiliza por que isto depende de ordem presidencial. Os próprios órgãos de proteção autorizam desmates, caso do Instituto Ambiental do Paraná, conforme denúncia de um diretor da Fundação Mata Atlântica. Parece mesmo que não há esperança de que o Governo decida por uma mobilização, e se tal acontecer terá de ser uma batalha sem precedentes. O uso das Forças Armadas nessa operação é fundamental, e essa fórmula é defendida por movimentos privados de defesa ambiental. Se o papel constitucional das Armas é a defesa territorial e seus bens e a segurança nacional, a derrubada incessante das matas tem a ver com essa segurança. Trata-se de uma defesa tão relevante quanto à salvaguarda das instituições.
Não há indício de que o Governo no poder vá se empenhar numa campanha dessas, porque nunca esboçou nada nesse sentido - a não ser discursos aleatórios. E ademais porque este é um ano de véspera de eleição presidencial e esse evento é predominante nas preocupações palacianas. Portanto, não será neste Governo que algo será feito, porque um tal projeto demandaria toda uma estratégia, que não se articularia do dia para a noite.

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