No Brasil existem as correntes que puxam o País para a frente e as que tentam freá-lo. Entre as primeiras estão os caminhoneiros, que no momento protestam pela má-conservação das estradas. O governo, no caso, situa-se obviamente como força do atraso, que breca o desenvolvimento ao dificultar o giro das mercadorias e das safras agrícolas, por não executar a parte que lhe cabe, que é manter transitáveis as rodovias. Assim, opera engatado em marcha a ré e obstrui o livre trânsito do progresso. E não apenas no setor da malha rodoviária mas também nos das ferrovias e portos. Dinheiro para as melhorias reclamadas o governo tem, que é o originado da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Cide, afora outras fontes, porque a máquina arrecadadora é operosa e, por conta disso, também gastadora e desperdiçadora. A Associação Brasileira dos Caminhoneiros certamente a entidade mais credenciada para falar da situação porque coleta insuspeitas informações dos caminhoneiros revela que mais de 85% das estradas apresentam problemas de tráfego, então não caberão eventuais contestações. A atual situação desses caminhos oferece graves riscos de acidentes, danifica os veículos que constituem investimento caro retarda o escoamento das cargas, não bastasse a imposição do pedágio, tudo isso gerando prejuízos sem conta. Motoristas e empresas já não aguentam arcar com tão elevados custos. Isto num país que vem se impondo como grande produtor, em muitos campos de atividade, e grande exportador méritos que, diga-se, não são do governo mas da obra e graça da cadeia produtiva, que avança apesar dos obstáculos que encontra pela frente. Os profissionais dos transportes reclamam também a promessa do governo, ainda não cumprida, de corrigir o programa Modercarga, no sentido de facilitar a aquisição de caminhões a juro mais baixo e prazo mais longo.
Um governo não se exerce com discursos mas com a eliminação de barreiras para o desenvolvimento e com a criação de canais que permitam o fluxo dessas forças atuantes que, apesar de tantas dificuldades, vão transpondo obstáculos e avançando. Natural que mais aceleradamente avançariam se o governo fizesse a sua parte. O pleito dos caminhoneiros é mais que legítimo, e não é apenas deles mas um requisito de todos os brasileiros que perfilam na corrente pra frente e fazem o Brasil andar, apesar das pedras de tropeço que encontram pelo caminho.

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