Más e boas notícias da atividade pecuária
A má notícia é a do fechamento do frigorífico Garantia, de Maringá, com a demissão dos restantes 800 empregados (600 já haviam sido demitidos no passado), resultante do embargo da importação de carnes brasileiras pela União Européia. A boa notícia é a intenção do novo ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes - anunciada quinta-feira em Londrina - de que irá se empenhar para a liberação de um aporte de R$ 80 milhões/ano a mais, para resguardar a sanidade bovina nas fronteiras com o Brasil. Depois do golpe de 2005/06 representado pela febre aftosa inventada pelo Governo e cujos reflexos são ainda sentidos, o ministro elegeu, no momento, a questão da sanidade animal como prioritária.
Stephanes, que é paranaense e conhece os problemas do setor, prometeu empenho para resguardar o País de novos focos de febre aftosa, porque o que aconteceu ainda está sendo desastroso. Se o Ministério da Agricultura e Pecuária tem orçamento pequeno, pode fazer muito se houver determinação do ministro em ações isoladas e reivindicações persistentes junto ao presidente da República. Já no próximo dia 20 o ministro se reúne com o colega paraguaio e com Secretários da Agricultura do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, para discutir medidas de controle sanitária nas faixas de fronteira. Essa articulação terá continuidade com os Governos da Bolívia e Argentina. Se ainda não existem as verbas adicionais para o maior controle sanitário, o novo ministro brasileiro diz que ''recurso é questão de mobilização''. E chegou a mencionar a Itaipu Binacional, assim como outros organismos - inclusive internacionais - como portas de socorro.
É assim que se fala e é assim que se deve agir, porque o Paraná dispõe agora de dois ministros importantes: Stephanes e Paulo Bernardo, este estreitamente ligado ao presidente Lula e também conhecedor dos problemas da agricultura e da pecuária. O vice-governador Orlando Pessuti, presente com o ministro da Agricultura em Londrina, anunciou a contratação de mais veterinários, justamente para intensificar a vacinação e a fiscalização sanitária. O empenho está demonstrado, e sabem as autoridades - e especialmente o presidente Lula e o governador Roberto Requião - que não se pode brincar com tão delicada questão, que envolve a segurança da pecuária e por extensão a economia do País. Aliás, já brincaram demais, tanto o Estado como o Mapa.
O prejuízo com o embargo da importação de carnes do Brasil até hoje se faz sentir, e o episódio do fechamento do frigorífico de Maringá - com as demissões e outros males econômicos que vêm na sequência - é apenas mais um dos muitos casos desalentadores. Se o Governo federal quer reativar o crescimento, por via de medidas como o PAC em gestação, precisa dar ouvidos ao novo ministro da Agricultura e Pecuária e municiá-lo de mais recursos técnicos e financeiros.





