Marketing pessoal - J. Roberto Whitaker Penteado
Marketing pessoal
J. Roberto Whitaker PenteadoNas entrevistas que fiz com dez profissionais de sucesso - e que, agora estão sendo convertidas em livro pela Editora Campus (Como Eles Chegaram Lá, no prelo), uma pergunta que fiz a todos era sobre o marketing pessoal. Funciona? Eles admitiam tê-lo praticado? Todos disseram que sim, desde o comedimento de Marcos Magalhães, presidente da Philips, considerando o marketing de um executivo apenas o seu track-record (Prometer e cumprir é o melhor marketing pessoal para o executivo moderno) até a cândida hipérbole de João De Simoni, astro do marketing promocional: Sempre fui o meu produto a ser vendido. Acho até que exagerei.
Christina Carvalho Pinto (Full Jazz) conta que, durante muitos anos, olhou com desdém o marketing pessoal, comparando-o a uma simples vontade de aparecer. Mas aprendeu que quem consegue se posicionar publicamente de maneira coerente, tornando suas idéias, estilo e personalidade conhecidos, acaba gerando interesse a respeito do que se faz, o que leva, naturalmente, à ampliação dos negócios.
Para Armando Ferrentini (Editora Referencia), o marketing pessoal tem importância total. Cria o magnetismo, o que chamamos de uma pessoa interessante. Aí, fica mais fácil ser ouvido, expor as suas idéias. Se você é apenas uma voz na multidão, correrá o risco de falar para si mesmo.
Castro Neto, presidente do Unibanco e administrador profissional, não-especializado em comunicação, reconhece que o marketing pessoal, na dose apropriada, é uma necessidade. E estabelece três targets importantes: os subordinados, os chefes e o mundo exterior. Carisma é um ingrediente necessário ao sucesso. Acho difícil encontrar executivos de sucesso que não usaram, em alguma dose, práticas que se enquadrem nessa categoria.
Roberto Duailibi (DPZ) não hesita: é importantíssimo. Você contrata aquele em quem você confia. E confiança começa a se formar com o conhecimento. Ele recomenda as atividades de dar aulas, escrever artigos nas publicações especializadas, escrever livros, dar entrevistas, divulgar seu trabalho, participar de seminários, congressos, conferências - como ingredientes de marketing pessoal que contribuem para gerar mais demanda por seu talento.
Nizan Guanaes (DM9DDB), que nunca desprezou o valor de uma boa promoção pessoal, entra, contudo, na linha de Magalhães quando observa que tudo pode ser exagerado, ao contar que, quando se iniciou na profissão, implicou com os estereótipos da profissão. Prefiro ter uma participação comunitária e ser visto pelos empresários na hora em que eles pensam em fazer a campanha da Fiesp. Ou ser votado em primeiro lugar entre os publicitários, como numa recente consulta entre os leitores da Gazeta Mercantil.
Francisco Gracioso, presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no Rio, também considera importante o marketing pessoal. Mas, acha que, da mesma forma que no marketing de produtos (ou serviços), nosso marketing deve consistir no atendimento das necessidades ou expectativas do nosso público-alvo e - a longo prazo - o que fazemos pelos outros é mais importante do que a nossa aparência ou a nossa maneira de falar.
Se você acredita em marketing pessoal, gostaria de acrescentar aos depoimentos desses cobrões umas receitas que anotei do consultor Mike McCaffrey, autor de um excelente Personal Marketing Strategies: 1) Não espere negócios do que escreve - eles apenas ajudam nos contatos; 2) Gaste mais tempo colecionando cartões de visitas dos outros do que distribuindo os seus; 3) A venda é um processo que tem princípio, meio e fim; 4) As pessoas gostam de ajudar: peça conselhos; 5) Ninguém está disposto a pagar-lhe salário ou honorários se não considerar você importante; 6) Melhor do que saber responder é saber perguntar; 7) A pessoa mais importante do mundo é o seu cliente; 8) Se você não acreditar em você mesmo, quem vai acreditar?
- J. ROBERTO WHITAKER PENTEADO é professor universitário e dirigente de instituição universitária no Rio de Janeiro
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