Marketing obscuro - Luiz Geraldo Mazza
Quando a criação publicitária pretende sobrepujar os seus limites ou dá em genialidade ou em burrice. O pior é quando a mensagem é oficial. Aí complica tudo porque não há como medir retornos de institucionais (por exemplo os da Copel, Sanepar, Banestado) e nem se nota muita preocupação com isso. Têm até a obrigação de ser artísticos, tal o desperdício que representam na maioria dos casos. Uma coisa inútil e seguida por quase todos os governos são as cruzadas para impelir o contribuinte a pedir nota fiscal. Não melhora a arrecadação e muito menos o nível de consciência cívica.
Esses anúncios, que se acreditam de impacto, tipo soco no olho, como os
produzidos recentemente em que a polícia interrompe caça aos bandidos e os bombeiros deixam de apagar um incêndio por falta do ICMS, no primeiro caso a gasolina acaba e no segundo a água, são de uma falsa dramaticidade e quase próxima do pastelão. O Carlitos, o Gordo e o Magro e os três patetas poderiam neles se inserir com a maior naturalidade.
Primeiramente, como diria o Cantinflas, basta o governo monitorar os 200 maiores contribuintes e terá pulso da situação. Se o primeiro da lista for um grupo madeireiro (hipótese imaginária, esclareça-se) em dificuldades, haverá, como sempre, a omissão sob o argumento de que a sequela social com a execução da empresa será maior do que o ganho. É isso que amarra o governo e que perde moral com o contribuinte quando faz o diferimento do ICMS, ainda que no bom propósito de desenvolver a economia, em favor de grupos externos.
Segundamente, como afirmava o Cantinflas, apoiado pelo coronel Paraguaçu, do Lima Duarte, o custo dessas campanhas apenas prova a prodigalidade oficial e o non sense da acrobacia que mais parece voltada para atender a clientela interna, voraz como sempre, ainda mais quanto pinta uma crise.
Exemplo de propaganda bem feita: a da Prefeitura de Curitiba sobre o IPTU com mensagem de imediata captação, simpática, exaltando valores que a população cultua na sua relação interativa com a cidade. Não importa se o institucional não convenceu o contribuinte a pagar o carnê com os 7% de desconto. Pelo menos não se apelou nem para a dramaticidade e a pieguice. Só falta agora mostrar, no caso do governo estadual, uma criança com desidratação, lembrando um etíope, que estaria assim porque nós, ao contrário do doutor Gionédis, que arma um escândalo por causa da falta da nota numa choparia, não damos a mínima para o papel de patrulheiro fiscal e de um governo que mal se patrulha.
BIZARRICE O procurador de Justiça aposentado Robertsson batia papo com o cartorário Júlio Jacob sobre a arte cirúrgica do doutor Randas e para simplificar uma explicação em torno da técnica (alguém a comparou com uma picanha) resumiu: ele descobriu o ovo de Colombo, ao que teve que ouvir a contestação: Colombo não, Campina Grande do Sul, do outro lado da estrada.
SPRAY Além dos que já perderam o emprego e estão sendo processados, o caso (ou seria mesmo o ocaso?) da Leasing teria feito mais vítimas junto ao staff presidencial do Banestado.- O Banestado tem o mau hábito, por força da atuação dos políticos, em depreciar a própria instituição quando anuncia venda de uma de suas unidades. Álvaro Dias desmoralizou o Banco del Paraná, no exagero do denuncismo para atingir Richa, e ainda por cima propunha a sua venda.- Agora se dá o mesmo com a Leasing: anuncia-se a venda ou transferência da carta patente num momento em que ela é alvo de suspeitas, as mais absurdas e inaceitáveis.- Ex-bancários acham que o prejuízo geral da Leasing, que denunciaram desde o início à presidência, quando ainda sob o comando de Fayet e Murta Ramalho, deve aproximar-se de R$ 400 milhões, mais, portanto, do que muitos dos investimentos anunciados no campo industrial.- Semanário Hora H vai se transformar em diário: uniforme de campanha. Faz parte da rotina.- Por falar em campanha eleitoral, os veículos andam tão irritados com os atrasos de pagamento do governo que só vão aderir se a grana sair na frente. Vão exigir o mesmo da oposição. Esta é de uma imaginação pobre, como se viu no encarte da Fundação Pedroso Horta nos jornais diários.- O semanário Impacto com a entrevista de Requião chamando Lerner de corrupto, o maior de toda a história do Paraná, foi bem mais forte como material de denúncia.- Outra coisa: quantos empresários estarão dispostos a pôr dinheiro em campanha oposicionista? O governo leva a vantagem óbvia porque dá serviço com as privatizações de estradas, por exemplo. É claro que razões práticas sempre levaram empreiteiros a ajudar os dois lados.- Da oposição o que tem menos condições, apesar do discurso mais contundente, de obter esses apoios é Requião. Isso lhe pode dar a vantagem da imagem de justiceiro, mas até isso tem custo. Haja vista para o tostão contra o milhão de Jânio Quadros.- Circulando na cidade em xerox a desaprovação pelo Tribunal de Contas da União contra reitores da Federal, Carlos Alberto Faraco e José H. Faria.- Fornecedor do Estado denunciou a Requião que está sem receber desde julho de 97. Apelou para a divulgação da carta encaminhada ao senador. Deveria encaminhá-la à revista Direção, que faturou R$ 180 mil no seu último número.-
FOLCLORE FHC prorrogou o horário de verão para atender o Rio e a Light. É também um meio metafórico de sugerir a prorrogação do seu mandato. Como muitos o acham parecido com o Rei Sol, ninguém como ele para saber a hora de se pôr.





