São Paulo Marisa Letícia Lula da Silva já confidenciou a amigos: está adorando ser primeira-dama. Ela é hoje uma das pessoas mais observadas, vigiadas e comentadas da República. Seu modo de agir, o que está vestindo, o corte de cabelo, a pele mais bonita, as jóias e adereços que incorporou, tudo é motivo de notas em colunas sociais, capas de revistas e deleite para o tititi dos estilistas.
Não há um passo que dê sem que telefonemas disparem para todos os lados. Querem saber o que fez, comprou ou vestiu. Criou-se um culto paparazzi em relação a Marisa, a mulher simples que há pouco tempo se orgulhava das origens de ''batateira'', de gente humilde que veio da terra e se criou nela. Mas os amigos garantem, ela só mudou na aparência.
Na sexta-feira à tarde, a primeira-dama dividiu espaço com centenas de clientes no cultuado Studio W, de Wanderley Nunes. Trata-se de uma grife no mundo dos famosos: de cada dez estrelas de novelas globais, sete entregam suas madeixas a ele. Por mais de três horas, Marisa ficou num cantinho reservado, acompanhada do filho Sandro. Poucas mulheres foram até lá cumprimentá-la. Ela mudou os cabelos aloirados para um tom mel queimado e um corte ligeiramente mais liso, ''ao estilo da atriz Isabella Rossellini'', como definiu Wanderley. Com o badalado maquiador Cayo Lanza, tingiu pela primeira vez as sobrancelhas e os cílios, definindo um formato mais reto e arqueado.
Aos críticos, Wanderley avisa: o tratamento é pago por fabricantes de produtos de beleza (a japonesa Senscience, a americana Paul Mitchell e a alemã Wella). Marisa usa os produtos, leva-os para casa, o Palácio da Alvorada, e o cabeleireiro recebe por seus serviços, realizados a cada 20 dias. Ele elogia o visual, mas é fã mesmo da personalidade dela. ''Até já me convidou para participar da nova ONG, que vai juntar empresários atuando para o Fome Zero.'' A ONG está sendo elaborada pelos empresários Antoninho Marmo Trevisan e Oded Grajew e será presidida pela primeira-dama.
Marisa já foi capa de duas revistas femininas, um fato inédito. Numa delas, posou de modelo ao vestir terninhos coloridos, que na campanha se tornaram marca registrada. Agora se tornaram práticos. Aos amigos disse que voltará a vestir as saias e os vestidos. Há uma razão: acabou o tratamento nas pernas que realizou com o cirurgião vascular Julio Cesar Marino, do Hospital das Clínicas. Só não poderá vestir nada muito decotado, por recomendação de Lula. Certa vez, ele brincou: ''Ô, menina, agora você é primeira-dama, não pode ficar com esse decote.'' Simples e respeitosa, ela fez uma pequena costura para que o vestido ficasse menos insinuante.
O guarda-roupas passa pelas mãos da personal stylist Ernesta Nicoletti, mais conhecida como Tata. Foi ela quem incrementou o visual de Marisa e hoje adquire roupas e jóias em nome da primeira-dama. Estas são tomadas emprestadas em joalherias como Dryzun, H. Stern e Antônio Bernardo. De roupas, valoriza grifes nacionais, como Walter Rodrigues e Lita Mortari. Óculos, do esteta ótico Miguel Giannini. Segundo a assessoria de imprensa presidencial, Marisa paga as compras e Tata só atuou na campanha. ''O estilo de dona Marisa é de dona Marisa'', afirmou uma assessora.
A mudança de visual, contudo, esconde a faceta mais sensível e responsável da primeira-dama, privilégio dos poucos e bons amigos. A eles, Marisa confidenciou que recusou uma porção de roupas quando Lula havia sido eleito. Disse também que dispensou os serviços da chef de cuisine Roberta Sudbrack, que custaria mais de R$ 10 mil para produzir o cardápio do Alvorada. Recentemente, empenhou-se em liberar bicicletas retidas na alfândega para doar a cidades pobres de zonas rurais. Lembra a todos que o poder é passageiro e o eleito foi o marido, não ela.
Ainda assim, consultores de imagem dão nota 10. Ilana Berenholc diz que Marisa imprimiu um toque pessoal, discreto e leve. ''Ela tem coerência e consistência.'' Cláudio Vaz Filho, do ''SBT'' e responsável pela escolha dos ternos de Fernando Henrique Cardoso, recomenda que ela ''brinque'' mais com os acessórios. ''Ela está certa em usar terninhos e já que vai aparecer tanto deveria usar cores menos chamativas.'' Emanuela Carvalho, da gravadora Trama, emenda: ''Está sempre no tom, nunca acima, nem destoando. Parece que nasceu de salto.'' A socialite Vera Loyola elogia: ''Ela está ditando a moda.
Se alguém quer estar chique, tem de olhar o seu modo de vestir.'' Para Marisa, o que vale mesmo são as mais de 300 cartas que recebe todo mês. Gente simples, que não tem e-mail e escreve só para dizer que nunca houve uma primeira-dama como ela.

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