Mariana, quatro anos depois
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quarta-feira, 06 de novembro de 2019
Folha de Londrina 
A última terça-feira (5) marcou o aniversário de quatro anos da pior catástrofe ambiental ocorrida no Brasil: o rompimento da barragem de mineração do Fundão, da empresa Samarco, no município de Mariana, em Minas Gerais. A tragédia ocorrida em 2015 deixou pequenas localidades em ruínas, natureza devastada, nenhum responsável preso e muita gente ainda aguardando indenização.
Dois distritos, Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, viraram “cidades fantasmas”. Elas foram praticamente varridas do mapa após o rompimento da estrutura que liberou 40 milhões de metros cúbicos de resíduos altamente contaminantes.
Dezenove pessoas morreram e como a lama percorreu 600 quilômetros pelo rio Doce e seus afluentes, 39 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo foram prejudicados. A lama chegou até o Oceano Atlântico. A Samarco é uma subsidiária da Vale, empresa responsável por mais um grande desastre, o rompimento da represa de Brumadinho – dessa vez a pior tragédia industrial da história do Brasil quando se trata de vítimas fatais. Foram 270 mortes e os bombeiros de Minas Gerais ainda tentam localizar vítimas.
No caso de Mariana, as negociações não avançam e estão emperradas em uma questão: qual o valor do dano moral causado às pessoas que tiveram sua vida completamente mudada após o mar de lama causar tanta destruição?
É claro que uma indenização material não vai repor as perdas humanas ou os danos ao meio ambiente. Mas quatro anos depois, não é possível que ainda exista impasse nos valores a serem pagos. O mesmo vale para a punição dos responsáveis. Olhando para o futuro, é a responsabilização por essas tragédias que terá o caráter pedagógico - ou preventivo – de evitar que elas se repitam. Infelizmente, nossa justiça tardia não colabora, a lição não chega a quem deve aprendê-la e com isso tragédias anunciadas continuam acontecendo.
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