Marcos Elias Traad da Silva

Paraná 12 Meses
e a sua história
Muitas são as pessoas que procuram entender qual é o real significado do ‘‘rótulo de fantasia’’, dado a um programa que insistentemente vinha sendo bloqueado no âmbito do Senado Federal, mas que agora, graças ao entendimento da maioria dos ‘‘Deuses do Olimpo’’, está desimpedindo, ou seja: o Paraná 12 Meses.
Contudo, para que não pairem dúvidas no presente, ou exista a possibilidade de que haja qualquer intenção de mascarar a história, sentimo-nos na obrigação de relatar os fatos que predispuseram ao nome de batismo do citado programa.
Tudo começou no início da campanha para as eleições de 1994, quando Jaime Lerner, ainda candidato ao Governo do Paraná (com cerca de 11% das intenções de voto), procurava melhor entender como se processava a dinâmica da agropecuária paranaense, através de conversas, normalmente em ‘‘mesa-redonda’’ com grupos ligados ao setor. Daqueles debates, nos quais tive o privilégio de acompanhar, participavam técnicos em ciências agrárias (setores público e privado) e integrantes da ONG’S
Resultado de diversos encontros coletivos, além das conversas de fim de tarde (quando possíveis é claro) entre um grupo um pouco menor, e o já candidato Jaime Lerner, foi a fixação de conceitos sobre a importância social e econômica da agropecuária e, as repercussões positivas (em todos os aspectos) do apoio à uma atividade, que na realidade, continua sendo o principal ‘‘cartão-de-visitas’’ do Paraná.
E assim, diante dos inúmeros diagnósticos apresentados pelo grupo de trabalho imbuído em elaborar propostas de programas de apoio à agropecuária uma característica básica dos sistemas produtivos do Estado era marcante, ou seja: a produção sazonal (o que não é novidade em qualquer parte do mundo onde a agricultura esteja sujeita ao clima), fortemente baseada nas culturas de milho e soja (nas águas) e no trigo (na seca). Ainda como se não fosse o bastante, o Paraná caracterizava-se por exportar um significativo volume dos seus produtos primários, para serem transformados em outras regiões (o que hoje ainda é fato), passando por um processo de agregação de valores retornando, processado, aos consumidores paranaenses. O mesmo diagnóstico, apontava a enorme dívida da sociedade para com os trabalhadores denominados de ‘‘bóias-frias’’, que viviam em condições sub-humanas, o que incomodava sobremaneira ao ser humano (como a todos nós) Jaime Lerner.
Do lado das características tecnológicas da agropecuária do Paraná, identificava-se: um setor moderno e competitivo (em alguns produtos), de certa forma ‘‘independente’’ do poder público estadual; de outro lado (em maioria), um contingente de produtores excluídos dos sistemas das cooperativas, descapitalizados, impossibilitados de progressão, numa economia cada vez mais dinâmica e voltada para o mercado global.
Transcorridos mais de três anos (de 94 à 97), a situação da agropecuária não evoluiu - o que não é um privilégio do nosso estado - mas, muito pelo contrário, passa por um processo crítico, que não só se agrava ainda mais em função da tenacidade do produtor rural.
Pois bem, frente à um diagnóstico como o que se apresentava, haveríamos de buscar soluções criativas e complementares aos programas em andamento no Estado, sempre com a meta de não descaracterizarmos o que vinha sendo feito, o que não é muito comum em política.
Já com o melhor entendimento da estrutura produtiva da agropecuária do Paraná, a percepção do executivo Jaime Lerner, num dado momento, propôs: ‘‘se os problemas que dificultam o desenvolvimento da nossa agropecuária são os apresentados, temos que fazer com que a produção possa ser ‘‘esticada’’. Então vamos ‘‘esticar a safra’’. Temos que dar mais apoio aos menos competitivos e incentivar as agroindústrias. Naquela ocasião, já havíamos assumido a coordenação técnica do programa de agropecuária (sob o comando e o brilhantismo de Cássio Taniguchi) e elaborado em elenco de propostas para serem analisadas pelo nosso candidato ao governo. Eram ações que abrangiam inúmeras atividades contemplando o que o candidato queria, além de importantes contribuições de um seleto grupo de colaboradores (muito poucos, por sinal, atualmente no Governo). No sentido da modernidade dos sistemas produtivos (café adensado, verticalização da produção, incentivos ao melhoramento genético animal e vegetal, etc.) e, principalmente, da diversificação e da sustentabilidade das propriedades.
Concebidas desta forma, as principais ações para o setor, foi agregado definitivamente, um importante conceito, também criativamente elaborado por Jaime Lerner, qual seja ‘‘temos que fazer com que a economia do setor agropecuário seja ativa o ano todo, nos doze meses. Assim, o Paraná agrícola, tem que ser o Estado 12 meses.
Ainda em 1994 (se não me falha a memória, em início de dezembro), uma missão do Banco Mundial (ainda não oficial), de passagem por Curitiba, foi por nós recebida, tendo tomado o primeiro contato com a proposta global do Paraná 12 Meses e com o Programa Vilas Rurais. As impressões foram as melhores possíveis, e o Governador eleito, foi aconselhado a apresentar a proposta tão breve quanto possível.
Daí, pode-se depreender o sentido da denominação deste programa, que deverá ter início em 1998 e que após a posse de Sua Excelência o Governador Jaime Lerner, foi tecnicamente lapidado por uma equipe de alto nível, que com certeza, se encarregará de executá-lo da forma mais brilhante possível.
Esperamos que, daqui, para frente, após essa longa espera, mais um avanço para a sociedade seja obtido e que o Paraná continue dando seu exemplo ao resto do Brasil, mesmo sofrendo com os acidentes de percurso político, numa história que alguns pretendem rotular como uma busca dos reais interesses do seu povo, mas, que na realidade, não passou de uma manobra - o que é muito comum em política infelizmente.
- MARCOS ELIAS TRAAD DA SILVA foi coordenador técnico do Programa de Agricultura (em 1994) na campanha de Jaime Lerner ao Governo do Paraná.

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