A Nação vive uma crise de autoestima. Após uma primeira década de século com crescimento econômico consistente, de conquistas inequívocas no campo social, de inclusão de milhões de pessoas no mercado de consumo e de ter se tornado um player global relevante de commodities, vivemos uma década de revezes, parte pela deterioração do cenário externo e parte por erros na condução da política econômica do atual governo federal.
A recessão se avizinha, a inflação e o desemprego crescem. São tempos do Petrolão, uma dos maiores escândalos de corrupção da República. Greves e atos públicos contra o governo vão se tornando rotina. A confiança dos investidores estrangeiros pela maior economia da América Latina já não é a mesma. A sensação é que o brilho vigoroso de antes não passa agora de uma luz tênue, que ilumina uma multidão de pessimistas.
Mas este 15 de março é apropriado a uma reflexão alentadora. Comemoramos hoje 30 anos de governo civil ininterrupto, sem rupturas institucionais e com eleições livres. Nada que nos garanta uma sociedade justa e que nos liberte da desigualdade e da violência. Porém, trata-se sem dúvida de um precioso ponto de partida.
Não foram três décadas quaisquer. Ganhamos uma Constituição; um presidente acusado de corrupção foi deposto em um rito político legítimo e legal; e, depois de passar por toda sorte de turbulências monetárias, vencemos o desafio de lavrarmos uma moeda estável e respeitada. Fizemos plebiscitos e aceitamos os resultados. Construímos um modelo inovador de ir às urnas e de contar os votos. Baixamos estatutos que protegem minorias, instituímos uma rede de universidades públicas gratuitas, colocamos todas as crianças nas escolas, oferecemos tratamentos de saúde complexos a custo zero, temos uma seguridade abrangente e que reduziu drasticamente a miséria. Enfim, entre tantos erros, contamos uma infinidade de acertos.
Foi um período de ascensão e conquistas, o que mostra que a democracia é o único caminho no qual podemos seguir adiante. É dela – e somente nela – que vamos tirar forças para vencer cada um dos obstáculos que nos aflige nestes tempos difíceis. Não há dia melhor para admitirmos isso.

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