Marcha dos desesperados
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sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Organismos de ajuda humanitária e a imprensa internacional voltam os olhos para a caravana de migrantes da América Central que, desde 13 de outubro, quando partiu de San Pedro Sula, em Honduras, não para de crescer. Estima-se que cerca de 7.000 pessoas de Honduras, Guatemala e El Salvador, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) - entre elas, mulheres grávidas, crianças desacompanhadas, idosos e mesmo famílias inteiras - enfrentam todo tipo de adversidade para chegar à fronteira do México com os Estados Unidos. Até agora, os riscos e as ameaças de serem presos, deportados ou impedidos de entrar não tiveram efeito sobre os migrantes. Eles fogem da violência e da miséria. Fogem da morte.
Na jornada pelo México, de acordo com o governo, mais de mil integrantes da marcha haviam pedido asilo ao país até a última terça-feira (23). Mas, conforme avança, a caravana também ganha novos integrantes - centenas têm se juntado ao grupo todos os dias, segundo as autoridades.
Honduras, El Salvador e Guatemala amargam índices altíssimos de criminalidade motivados pelo narcotráfico. Estrategicamente, a América Central funciona como corredor, a ponte que liga o grande fornecedor de drogas - a América do Sul - ao maior consumidor - os Estados Unidos. Levantamento da ONG Insight Crime aponta que, nos três países da América Central, existe pelo menos 70 mil membros de facções criminosas em atividade. Grupos que foram formados nos anos 1990, após serem deportados por Bill Clinton. Espremidos entre a miséria e a violência das gangues, há pouca - ou nenhuma esperança - para os mais pobres.
Na tentativa de brecar a caravana, o governo americano subiu o tom. Primeiro ameaçou cortar verbas que envia para a região. Não surtiu efeito. Pressionou e ameaçou o México para conter a caminhada, também sem sucesso. Agora anunciou o envio de 800 homens do exército americano para a fronteira.
Às vésperas das eleições legislativas nos Estados Unidos, marcadas para 6 de novembro, a mais nova crise com os migrantes da América Central pode favorecer Trump, cujo governo, em setembro, tinha apenas 36% de aprovação. Os republicanos, partido do presidente, que estavam atrás dos democratas nas pesquisas iniciais para renovação de parte da Câmara e do Senado, já aparecem empatados. Resta saber, qual será o impacto do desfecho dessa história - seja de confronto ou acolhimento - nas urnas.



