Marcelino Champagnat - Patrick Francis O'Neil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Patrick Francis ONeil 
Amanhã em Roma será canonizado (declarado santo), pelo papa João Paulo II, Marcelino Champagnat (1789-1840), sacerdote da Sociedade de Maria e fundador da Congregação dos Irmãos Maristas. Em Curitiba e em todo o Paraná, os irmãos Maristas fazem uma contribuição importante na área da educação, por meio da Pontifícia Universidade Católica, de colégios e de suas obras assistenciais. Então é mais do que justo que toda a sociedade festeje a conquista deste mais alto título que a Igreja Católica pode conferir a um dos seus membros.
O caminho para a santidade publicamente reconhecida pela Igreja com o título de santo não é fácil. Obviamente, durante a sua vida, uma pessoa tem que demonstrar sinais claros de que estava mesmo vivendo o Evangelho e seguindo os passos de Cristo, desejando sempre fazer a vontade de Deus. Após a sua morte, os seguidores podem entrar com o pedido para que a Igreja o declare santo. Isto quer dizer que esta pessoa já está definitivamente junto a Deus e que a sua vida e a sua obra podem servir como exemplo de uma autêntica vivência cristã.
Daí em diante, o Vaticano passa a investigar profundamente tudo sobre o candidato - vida pessoal e moral, seus escritos, e dezenas de outros aspectos. Neste processo, entra o advogado do diabo, um padre, cuja única tarefa é tentar derrubar a tese de que este homem ou mulher foi realmente santo. Mas, além da investigação rigorosa, o Vaticano exige três milagres como prova de que ele esteja junto de Deus - dois para declarar o candidato bem-aventurado, que é um degrau menor do que a plenitude da santidade, e um terceiro para ser santo mesmo.
Por um milagre o Vaticano entende uma cura que a mais moderna medicina não possa explicar. A Igreja tem um comitê de médicos e outros especialistas só para esta tarefa. Apesar do fato de que a palavra milagre é muito utilizada nos dias de hoje, este comitê declara pouquíssimas curas como verdadeiros milagres.
Marcelino Champagnat venceu todas estas etapas e por esta razão, a partir deste 18 de abril, será chamado de São Marcelino Champagnat. Mas qual foi a sua contribuição especial para enriquecer a vida cristã nos dias de hoje? Foi mais do que simplesmente fundar o Instituto dos Irmãos Maristas, pois há muitos fundadores de congregações que não foram declarados santos. A sua contribuição vai além deste aspecto de sua vida. De fato, Marcelino Champagnat fez grande contribuição para a Igreja, porque ele foi verdadeiro apóstolo da educação e da juventude e ensinou os seus seguidores a fazer o mesmo.
Marcelino desenvolveu pedagogia nova, oferecendo formação integral, fé e ciência no seu tempo, na França, logo após a Revolução, e nos dias de hoje no mundo inteiro, por meio dos irmãos Maristas e seus incansáveis colaboradores. É uma pedagogia caracterizada por profundo respeito para com o ser humano e reforçada com misericórdia e compaixão que Champagnat descobriu em Maria, a Mãe de Jesus, que tomou como exemplo e modelo.
Em recente documento da Casa Geral dos Irmãos Maristas, este espírito foi colocado num forma moderna: Optamos por estar presentes entre as crianças e os jovens como Jesus com os discípulos a caminho de Emaús; respeitando sua consciência e seus estágios de compreensão; partilhando, com entusiasmo, de suas preocupações; caminhando a seu lado como irmãs e irmãos; e revelando-lhes gradativamente a riqueza e a relevância da visão que Jesus tem da pessoa humana e do mundo.
Em Curitiba, a data da canonização será festejada amanhã com missa especial em ação de graças por Marcelino Champagnat, concelebrada pelos padres da Sociedade de Maria (padres Maristas), junto com os irmãos Maristas e comunidade em geral, na Paróquia Universitária Jesus Mestre, da PUC do Paraná, às 11 horas.
- PATRICK FRANCIS ONEIL é professor e diretor do Instituto de Teologia da PUC-Paraná em Curitiba


