Curitiba - A maior preocupação quanto à realização indiscriminada de tatuagens e piercings está relacionada aos problemas de saúde que esses procedimentos podem causar. Esta foi a principal argumentação do vereador Jair Cezar (PSDB), autor do projeto de lei que proíbe a colocação de tatuagens e piercings em menores de idade sem a autorização dos pais. O projeto, aprovado no dia 28 de agosto, só no próximo mês deverá receber aprovação ou veto do executivo.
''A idéia é coibir a ação de tatuadores em praças públicas e nas calçadas, que acabam intervindo no corpo de menores, fazendo tatuagens sem esterilizar as agulhas, sem se responsabilizar pelos riscos'', diz Cezar.
Durante as audiências públicas, os tatuadores que participaram das discussões aprovaram a idéia, segundo Jair Cezar. ''Eles são verdadeiros artistas, desenhando com agulhas'', elogia.
O dermatologista Luiz Carlos Pereira explica que a tatuagem deve ser feita com materiais muito bem esterilizados para evitar o risco de transmissão de doenças como sífilis, hanseníase, hepatite C e até Aids pela agulha infectada. Também há o risco de formação de quelóides, que são pequenos tumores benignos causados pela penetração da agulha. No caso da tatuagem, é mais raro ocorrer infecção. O maior problema, no entanto, é quando a pessoa se arrepende. ''Já tive inúmeros pacientes que se arrependeram e gostariam de tirar a tatuagem, mas além de ser muito caro o procedimento, a pele jamais fica como antes. Muitas vezes, é mais aconselhável manter a tatuagem do que ficar com uma cicatriz.''
No caso do piercing, o maior risco é de infecção por bactérias. ''Trata-se de uma perfuração. Na língua, os riscos são ainda maiores, pois coloca-se um corpo estranho numa mucosa sensível.''

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