Os avanços e as conquistas obtidas pelas mulheres ainda não foram suficientes para mudar uma cultura machista arraigada em parte da população. Relatos de mulheres vítimas da violência por seus companheiros, trazidos ontem por esta FOHA, escancaram os sinais desse comportamento que deixa marcas profundas em suas vítimas. Juntamente com esses testemunhos, ainda um dado igualmente chocante: o Paraná é o segundo Estado que mais registra casos de violência contra mulheres.
Pesquisa Nacional de Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseada em dados de 2013 (última informação disponível), aponta que a proporção de indivíduos de 18 anos ou mais que sofreram algum tipo de violência por parte de conhecidos nos 12 meses anteriores à data da entrevista foi de 3,5% no Paraná enquanto a média nacional é de 2,5%. Se for considerado apenas o sexo feminino, principal alvo desse tipo de agressão, o índice estadual sobe para 4,9%. Somente o Rio Grande do Norte tem uma proporção maior: 6,2%.
São índices bastante altos para o Paraná, ainda mais considerando a situação socioeconômica do Estado. E, por isso mesmo, reforçam a necessidade de modificar essa cultura. Educação e campanhas de conscientização podem ajudar a mudar esse panorama no longo prazo. No entanto, a gravidade da situação sugere que é preciso implantar políticas públicas que deem resultado em prazo mais curto. E, nesse quesito, a punição tem papel fundamental. Há a Lei Maria da Penha, que tipifica esse tipo de crime, mas é preciso que as forças policiais estejam preparadas para lidar com a questão.
A reportagem mostrou que falta estrutura e também capacitação para os policiais que estão exercendo a atividade. Portanto, é preciso pressionar as entidades governamentais a investir em políticas que mudem o quadro ou essas marcas da violência continuarão a manchar toda a sociedade.

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