Mão de obra causa dor organizacional
Durante seminário sobre gestão, ministrado pela Fundação Dom Cabral (FDC), em Londrina, executivos de empresas se queixaram dos efeitos da ausência de mão de obra qualificada. O primeiro impacto acontece na construção civil mas a falta de qualificação atinge outros setores. O segmento de tintas, por exemplo, já constatou que defeitos no acabamento levantaram suspeita sobre a qualidade da tinta, quando na realidade houve problema na aplicação - segundo ficou comprovado após análise mais detida.
O professor Marcos Cotta de Carvalho, da FDC, resume a causa e efeito do fator mão de obra. Como não há mão de obra disponível, o empresário contrata um profissional sem qualificação. A ineficiência dele gera uma ruptura em todo o processo, que ele chama de dor organizacional. O incômodo afeta toda a cadeia da construção e estoura no comprador do apartamento cheirando novo. Vai ter que mexer e vai ter gasto.
Cada um enxerga o problema de forma diferente. O especialista em gestão quer evitar o impacto final, quando estoura na mão do cliente. Já o empreendedor - com um olho peixe outro no gato - encara o aumento do custo para contratar e treinar essa mão de obra. E ainda correndo o risco de perdê-la em seguida pelo 10% oferecido pelo concorrente. Qualquer que seja a variável que se queira combater, a reversão do problema demora. Estamos falando em política de treinamento.
Na semana em que o fator mão de obra está sendo visto como gargalo de gestão, vem a notícia do impacto direto desse fator: leia-se custo. O custo da mão de obra puxa alta de 2,43% do CUB em maio. A referência CUB (Custo Unitário Básico) é o aferidor de custo da construção. Aumenta 2,43% em maio em relação a abril, para R$ 881,90 por metro quadrado. É indicador no Estado de São Paulo, mas em tempo de alta os percentuais não variam muito. É cumprimento de acordo coletivo já assinado, mas a negociação, em maio último, recebeu influência de um mercado comprador, isto é demandador de mão de obra. Na verdade a construção civil, em forte ascensão também em outros estados, nem quer questionar valores - segundo comenta-se na praça de Londrina - porque enfrenta um problema maior, de escassez e qualidade.





