São Paulo - A escassez de talentos no mercado de trabalho fica cada vez mais visível à medida em que os profissionais mais experientes se aposentam. Essa é uma tendência mundial e a maioria das empresas não está fazendo nada para reverter o quadro.
Essa é uma das principais conclusões de um estudo da prestadora de serviços e consultora de Recursos Humanos Manpower, feito em mais de 25 países. A pesquisa aborda as perspectivas dos trabalhadores com mais de 50 anos de idade, e contou com a participação de mais de 28 mil gestores.
''Ficou claro que as empresas ainda não perceberam a importância de levantar o percentual de sua força de trabalho que se aposentará nos próximos cinco ou dez anos. Isso serve para medir o potencial intelectual e de produtividade que será perdido quando essas pessoas deixarem a empresa'', afirma o diretor-geral da Manpower no Brasil, Augusto Costa.

Flexibilidade - De acordo com o especialista, as pessoas com mais de 50 anos já têm uma carreira construída, geralmente atuam em um cargo de alto nível e têm possibilidades reais de se aposentar.
É normal que pessoas com esse perfil comecem a prezar mais pela qualidade de vida. ''O profissional não quer parar de trabalhar, mas também não tem tanta disposição para chegar cedo e sair tarde'', afirma.
A solução, portanto, seria que as empresas desenvolvessem um programa especial para os executivos que estão perto de se aposentar, com horários mais flexíveis e novas funções, prestando consultoria e treinando os mais jovens, por exemplo.
''Mesmo que passe a ganhar um pouco menos, a pessoa estará altamente motivada para o trabalho. Isso porque perceberá que está sendo aproveitada e disseminando seus conhecimentos'', garante Costa.
A maioria dos empregadores, entretanto, ainda tende a considerar a aposentadoria como uma oportunidade de reduzir custos. Isso, segundo o especialista, demonstra pouca visão e põe até mesmo a empresa em risco.
É necessário também que as companhias desenvolvam, antes que seus executivos saiam do mercado, planos de transição e de transferência de conhecimentos. Isso facilitará as mudanças e garantirá a retenção de todo o capital intelectual possível na empresa.

Retenção - Um dos dados mais curiosos da pesquisa revela que as empresas no Japão são de fato as únicas preocupadas em reter trabalhadores com mais de 50 anos.
Cerca de 80% delas possuem estratégias e programas com essa finalidade, enquanto que em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália esse número fica em torno de 25%, porcentual relativo também ao Brasil.
''Essa é uma questão cultural, os japoneses valorizam os idosos; existe um respeito muito grande pela sabedoria e experiência dos mais velhos'', diz Costa.
Além do Japão, outros países com alto índice como Cingapura têm legislação e programas de incentivo governamentais voltados para trabalhadores acima dos 50 anos.

Recrutamento - Quando falamos em recrutamento de profissionais com essa faixa de idade, entretanto, nem mesmo o Japão apresenta índices animadores: somente cerca de 15% das empresas possuem estratégias do tipo. Mas, de acordo com a gerente de Recursos Humanos da Newtrend, Elen Fernanda Messias, quem está fora do mercado precisa manter a autoconfiança.
''Profissionais com mais de 50 anos não podem esquecer que são os que mais têm conhecimento e experiência'', diz. Elen explica que muitas vezes o próprio candidato apresenta resistência e acha-se ''velho demais'' para determinada função, mesmo que esteja dentro do perfil pedido. ''O importante é o profissional estar sempre atualizado''.
A Newtrend, por exemplo, é uma empresa de tecnologia e tem 20% de colaboradores nessa faixa de idade. ''É uma ótima média'', afirma Elen.

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