Cem mil policiais em alerta e, mesmo assim, a Polícia paulista continua sofrendo ataques de criminosos. Os atentados – como estão sendo classificados abertamente pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo –, que vêm sendo registrados há 12 dias, já resultaram na morte de seis policiais militares paulistas até o final da tarde de ontem.
  Bases atacadas, viaturas baleadas, ônibus incendiados. Não há como não relembrar a onda de crimes que apavorou o País em maio de 2006. Tudo orquestrado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Na ocasião, esta facção criminosa que nasceu em São Paulo e se espalhou pelos presídios dos demais estados, inclusive do Paraná, promoveu rebeliões em 74 prisões e realizou quase 400 ataques contra bases da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros por todo o Estado.
  Pelas contas oficiais, mais de 150 pessoas morreram, entre policiais, bandidos e inocentes. Estimativas de perícias médicas, no entanto, apontam que o número de mortos poderia chegar a quase 500. Todo o País parou, aterrorizado por homens que encomendavam mortes e ataques de dentro das cadeias.
  De acordo com investigações da própria Polícia, os atentados de 2006 tiveram como pano de fundo a corrupção policial. Desde então, já foi dito que o PCC havia perdido boa parte de sua força, pois seus ‘‘cabeças’’ tinham sido isolados em unidades de segurança máxima. Mas, de tempos em tempos, criminosos ligados à facção continuaram agindo e sendo presos ou mortos em confrontos com a Polícia.
  Agora, pelo menos por enquanto, as forças de segurança de São Paulo não relacionam as mortes de policiais ao PCC. Afirmam, por hora, que os seus ‘‘setores de inteligência’’ apuram se ‘‘os atentados’’ têm ligação com o crime organizado. Há rumores de que eles seriam uma vingança do grupo contra uma operação da Rota que terminou com seis homens mortos em maio. Um deles – suspeito de ter matado um PM – teria sido torturado antes de ser executado a tiros.
  O fato é que o PCC, ainda que tenha sofrido duros golpes nos últimos anos, permanece ativo e comandando um exército de presos que, aparentemente, continua tão obediente e disciplinado quanto lá em 2006. No Paraná, por exemplo, criminosos que pertenceriam à facção são suspeitos de envolvimento em alguns ataques a caixas eletrônicos cometidos no Estado. Em Londrina, a destruição de um ônibus que deveria facilitar uma fuga de presos em uma das prisões da cidade teria sido obra de integrantes desta facção.
  A situação de temor vivida por São Paulo não pode deixar de servir de alerta para todo o País. O Paraná, por enquanto, tem feito um trabalho importante de monitoramento dos membros de facções criminosas dentro dos presídios. Do lado de fora das cadeias, os crimes cometidos por essas organizações estão sendo investigados e punidos.
  Mesmo assim, não se pode baixar a guarda. É necessário manter a vigilância. Sem, no entanto, exercer força maior do que estabelece a lei. Crimes, abusos e atos de corrupção cometidos por policiais, ainda que contra criminosos, nunca devem ser tolerados. Situações dessa natureza colocam em risco não só as forças de segurança como toda a população.

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