Ao ser perguntado sobre quais as desonerações tributárias previstas no caso de um acordo com as oposições, em troca da aprovação da continuidade da CPMF, o ministro Guido Mantega simplesmente respondeu ''não vou falar''. Porque não se acredita que ele tenha grandes propostas nesse sentido. Por uma matemática simples: se o Governo quer tanto o dinheiro da CPMF (em torno de R$ 40 bilhões anuais), não fará concessões paralelas substanciais. Porque, ante a sanha arrecadadora, quem tanto deseja dinheiro não irá anular o ganho de um imposto fazendo generosidades.
O ministro continua batendo na tecla de que o Governo não pode dispensar a CPMF e reafirma que a saúde e a educação seriam penalizadas. Naturalmente que, se o sistema diminuir seus gastos com o supérfluo, na proporção da queda de arrecadação (se a sobrevida da CPMF não vingar), poderá manter no padrão atual (que não é dos melhores) o atendimento para aqueles dois itens. Mas disto, nem o titular da Fazenda e nem o presidente Lula cogitam, porque tal significaria ter de reordenar a máquina pública gastadora e eliminar mordomias. Soa como chantagem a postura do ministro, que já ameaçou a sociedade com aumento de impostos caso os senadores não prorroguem o imposto sobre as operações financeiras.
É justamente nas partes sensíveis que o ministro toca: a da saúde, que dói na carne dos cidadãos mais carentes, e a da educação. Ele acena com corte de atendimentos básicos mas não nos gastos abusivos. Está evidente que se o recurso de fazer cortes no essencial é possível, pode se dar o mesmo no corte também dos gastos desnecessários.
De repente parece que nada mais vai funcionar no Governo se faltar o dinheiro da CPMF. Porque o ministro também alude à política industrial, que - segundo declara - deixará de ser implantada sem a CPMF. Não se sabe que projeto era esse, porque o Governo petista não tem políticas definidas sobre nada, mas no aceno de Mantega seriam desonerações fiscais.. Que também não são claras.
Tudo tem muito sabor de blefe, só restando uma certeza: o Governo quer dinheiro e mais dinheiro. Quanto mais, melhor, mesmo com tanto saldo em caixa e sem projetos. Sequer para aplicar o dinheiro disponível em obras fundamentais. Uma inverdade é o ministro afirmar que não há reação da sociedade aos gastos supérfluos do atual Governo e que o povo aprova a administração de Lula. Naturalmente que ele quer transformar suas palavras em realidade. O que se sabe é que o time governamental não deseja ouvir os clamores do povo e acha que tudo vai bem.

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