Manifestantes pedem o afastamento de Suruagy
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sexta-feira, 29 de novembro de 1996
Agência Folha 
SÃO PAULO - Integrantes de diversas entidades, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), partidos e sindicatos participaram de passeata ontem no centro de Maceió, pedindo o impeachment do governador de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB).
Segundo os organizadores, o ato reuniu 5.000 pessoas, entre elas policiais civis e militares, funcionários públicos de diversas categorias, políticos, advogados e sindicalistas.
Oficiais da Polícia Militar avaliaram em 2.000 o número de manifestantes presentes à passeata, que durou cerca de duas horas, percorreu as principais ruas de Maceió e terminou em frente ao Palácio dos Martírios, sede do governo estadual.
O governador Divaldo Suruagy convocou a imprensa ontem pela manhã para dizer que não vai renunciar ao seu mandato, que completa dois anos em janeiro.
Suruagy disse que o governo não cometeu irregularidade na emissão de títulos públicos estaduais e que espera regularizar nos próximos meses o pagamento do salário do funcionalismo, atrasado há cerca de seis meses. A Assembléia Legislativa de Alagoas instaurou ontem Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar denúncias de irregularidade contra o governador.
O presidente da OAB de Alagoas, Romani Cansanção, entregou ontem ao presidente da CPI, Cícero Amélio (PSD), documento com acusações contra Suruagy. No documento entregue antes da passeata, Cansanção afirma que o governador cometeu crime de peculato e falsidade ideológica por ter usado documentos falsos para emissão dos títulos públicos.
Segundo Cansanção, o artigo 109 da Constituição estadual prevê crime de responsabilidade do governador por não-pagamento do salário no Judiciário. O deputado Cícero Amélio afirmou que espera concluir os trabalhos da CPI antes do prazo legal de 90 dias.


