Todo o cidadão tem o direito de se manifestar a favor ou contra alguma coisa. Atos de protesto fazem parte de qualquer democracia evoluída, mas sem violência. Quebra-quebra, agressões físicas e verbais são condenáveis, seja de onde vier.

Na tarde desta terça-feira (3), em frente e dentro da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), cenas de destruição do patrimônio público chamaram atenção e assustaram as pessoas que trabalham e frequentam o Centro Cívico de Curitiba.

A manifestação começou com servidores públicos caminhando pela Praça 19 de Novembro até o Palácio Iguaçu, na tarde desta terça-feira, pedindo que o governo retire da Alep projetos de lei que alteram a aposentadoria dos servidores.

Por volta das 15 horas, manifestantes conseguiram derrubar a grade de proteção e entrar na Assembleia. Aos gritos de “ocupar”, “resistir” e a “casa é do povo”, os manifestantes entraram na Alep. Os policiais responderam com spray e gás de pimenta. Duas pessoas ficaram feridas e alguns manifestantes passaram mal após inalarem o gás.

A oposição a um projeto tem que ser feita com argumentos e jamais com truculência, como foi visto no Centro Cívico. Ninguém ganha quando a manifestação parte para se transformar em vandalismo. Felizmente, não houve um aumento da violência a ponto de se repetir o chamado “massacre do centro cívico”, ocorrido em 29 de abril de 2015.

A FOLHA é a favor das manifestações pacíficas que significam exercer a cidadania. A democracia não se constrói apenas nos dias de eleições. Ela se faz com a participação do povo nas grandes decisões que envolvem o País, os Estados e os municípios. Não há inconveniente em sair às ruas para defender um ponto de vista. Mas não se pode atropelar as instituições. Ninguém ganha quando a oposição apela para radicalismos e destrói qualquer tentativa de negociação.

A reforma da previdência no serviço público estadual é um ajuste necessário e a FOLHA já se posicionou a favor das mudanças na aposentadoria dos servidores em seu editorial na edição do último 25 de novembro. É preciso enquadrar a máquina estatal à realidade do País. O que o Estado arrecada não pode ser gasto apenas para custear seu funcionamento e seus funcionários.

Todo o processo de mudança é difícil. Mas as chances de sucesso são maiores quando as transformações se dão no âmbito democrático e do respeito.

Obrigado por ler a FOLHA!

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