Londrina produz diariamente 422 mil quilos de lixo, dos quais 360 mil são resíduos domiciliares, 60 mil oriundos de estabelecimentos comerciais e industriais, e o restante dos hospitais. E, incrível que pareça, a maior parte disto vai para os denominados ''aterros sanitários'', que de sanitário nada têm. Destinação industrial só é dada aos papéis e papelões, plásticos, ferros e latas que são recolhidos por pessoas carentes com seus rudimentares carrinhos, e pelos que fazem isso nos próprios monturos. Por estes dias chegou-se a falar na implantação de um incinerador, em Londrina, o que é um contra-senso, sabendo-se que é possível usinar esses resíduos, mediante separação por via mecânica de cada tipo de material, e de forma limpa. Sistemas já existentes no mundo separam metais, vidros e papéis, e o lixo orgânico é convertido em adubo organo-mineral. Interessante como o lixo não figura nas prioridades dos administradores públicos, em Londrina e na quase totalidade das cidades brasileiras, porque o entendimento geral é de que esse dejeto deve ser amontoado em terrenos abertos da periferia ou enterrado, poluindo o ambiente, o solo, as águas, e gerando insuportável mau cheiro. Não se cogita do processo de industrialização, parecendo haver um tabu que rege esta questão. Certamente que esses rejeitos têm solução mais civilizada, que é o seu manejo inteligente. Lixo é riqueza, no dizer dos especialistas e alguns, no passado, vieram a Londrina mostrar isso e propor a administração terceirizada do negócio. Foi na gestão do prefeito José Richa, o que resultou, mais tarde, na sua visita a usinas de industrialização de lixo existentes. Mas o projeto não evoluiu. Essa massa descartável é produzida infinitamente, não havendo forma de evitar isso. Porém, os caminhos da tecnologia apontam para fórmulas sãs e lucrativas, porque todos esses resíduos podem ser selecionados e tratados (caso dos orgânicos) e embalados para quem os adquire, e quase tudo de forma mecânica. Também existem ensinamentos que resultam em produção de menos quantidade de lixo, tanto nos lares como nos escritórios, fábricas e oficinas. O primeiro deles é evitar o desperdício de alimentos, especialmente num país com 1/4 da população sofrendo de subnutrição. A pesquisa atesta esse descalabro junto aos latões e sacos de lixo nos bairros mais abastados e mesmo entre gente da classe média. Nos restaurantes de rodízio, por exemplo, 20% a 30% da comisa ficam sobre as mesas, nos restos de pratos e travessas. As indústrias e o comércio de produtos, de sua vez e isto é o que recomendam os técnicos deveriam evitar o excesso de embalagens e fornecer o mais possível produtos a granel. Papéis podem ser utilizados dos dois lados, e restos de construção reaproveitados ao invés de serem lançados em terrenos baldios. Tem-se escrito que o problema do lixo é solucionável, dependendo de participação do poder público, dos comerciantes e industriais e da população em geral. O que não se pode pensar é em incineração quando há soluções melhores, que se convertem em higiene pública, em facilitação, em barateamento de custos e em lucratividade, pelos muitos ganhos possíveis.

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