Males envolvendo gestão de frigorífico
Num país já com grande número de desempregados, não é uma boa notícia a possibilidade de demissão de 2.300 funcionários, no Paraná, pelo Frigorífico Margen, grande complexo abatedor nacional e que tem quatro unidades neste Estado: Paranavaí, Maringá, Lupionópolis e Paiçandu. O possível encerramento das atividades da empresa pode desalojar 11 mil trabalhadores, no total. A esperança é que, se o fechamento do frigorífico ocorrer, um novo grupo adquira as instalações, porque são 21 unidades espalhadas pelo País, responsavéis pelo abate de 6.000 animais/dia e por um faturamente mensal de R$ 96,6 milhões. No caso do Paraná, o frigorífico era o único exportador de carne bovina. A notícia causou reflexo imediato no mercado de carnes. A arroba do boi caiu no mínimo R$ 1, e só não foi maior em face da maior demanda de fim de ano. O abalo que atingiu esse conglomerado é motivado por um fato que independeu de eventuais problemas de ordem financeira estes só vieram na sequência e sim da prisão, no começo deste mês, de oito dos seus diretores, acusados de sonegação fiscal, formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. Em menos de 30 dias a administração com sede central em Rio Verde, Goiânia perdeu o equilíbrio, pois caiu em mãos de gerentes considerados ineptos, o que constitui uma ironia se os tidos como habilitados acabaram revelando inqualificações ainda piores, que são os delitos apontados e que viriam a resultar na crise que ora se manifesta. A atual gerência acena com possibilidade de fechamento definitivo o que, acredita-se, se traduza numa transferência de comando, pela absorção do patrimônio do frigorífico por outros grupos, pois há uma gigante estrutura instalada e uma demanda que pode manter o constante fluxo de negócios. A derrocada do Frigorífico Margen é duplamente lamentável, por várias razões: a iminência de cessação, ao menos temporária, do negócio; os desempregos, embora restando a esperança do aproveitamento do pesoal por novos donos; e o envolvimento do grupo em negócios ilícitos, algo que macula a imagem do setor.





