Doença degenerativa que ataca o cérebro e provoca a perda de funções cognitivas, como a memória e as capacidades de orientação, o mal de Alzheimer atinge, segundo estimativas da entidade americana Alzheimer’s Association, mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de não ter cura, alguns hábitos simples, bem como o diagnóstico precoce, podem retardar o avanço do problema. É o que afirma em entrevista à FOLHA o neurologista Getúlio Daré Rabello, do Hospital Samaritano, de São Paulo.
O mundo vem enfrentando um envelhecimento progressivo de sua população. Acredita que, à medida que a população envelhece, estamos sujeitos a uma ‘‘epidemia’’ do mal de Alzheimer?
Se considerarmos que isso significa um aumento exponencial de casos, creio que sim. À medida que a idade da população vai aumentando, existe um progressivo aumento da incidência da Doença de Alzheimer. Aliás, aparentemente, a prevalência da doença em pessoas acima de 100 anos chega praticamente aos 100%. Porém, evidentemente, o que se almeja é que ela não ocorra em faixas etárias em que, no mundo moderno, o idoso tem amplas possibilidades de ter participação ativa na sociedade. Assim, é muito triste ver pessoas com 60, 65, 70, 75, até 80 anos, com boa saúde geral, e portadores dessa doença. Todo o tratamento médico atual é voltado para ‘‘jogar’’ o risco para idades cada vez mais avançadas, onde fatores genéticos, ainda não controláveis, atuam soberanamente para sua eclosão.
Quais os sinais de alerta e sintomas?
O que define a doença de Alzheimer são três aspectos: transtorno de memória, transtorno em alguma área da cognição - atenção, planejamento, crítica, velocidade, entre outras -, e o diagnóstico de exclusão. A Doença de Alzheimer ainda é um diagnóstico de exclusão, ou seja, afastam-se as outras causas para se chegar a um denominador comum.
Qual a importância dos familiares nesse processo?
A perfeita compreensão por parte dos familiares é fundamental. Existem estudos que mostram que doentes em ambientes familiares amigáveis evoluem melhor da doença, com menor mortalidade e internações. Portanto, o carinho familiar é fundamental.
Quais as formas de tratamento?
Há várias ações a serem adotadas: primeiramente, temos os cuidados gerais, através do controle de problemas clínicos e também evitando o sedentarismo. Temos também o tratamento específico para o déficit cognitivo, os assim chamados anticolinesterásicos têm essa função. É um grupo de drogas que aumenta a atividade da substância Acetilcolina no sistema nervoso central. O tratamento para evitar a progressão da doença, através da substância Memantina, e o tratamento dos transtornos comportamentais. O último é um grande problema, já que a utilização de drogas que causam sedação nos pacientes pode aumentar a mortalidade. Por outro lado, às vezes é impossível conviver com o problema. Apenas uma saudável relação entre o cuidador e o médico assistente pode ajudar a definir a melhor conduta.
Recentemente foi divulgado que o tomate ajuda na cura do Alzheimer. O que de fato há de novo em relação ao assunto?
As informações demonstram claramente que não é o tomate que ajuda no problema, mas uma tecnologia genética que usa o tomate como instrumento. A tentativa de ‘‘curar’’ a doença de Alzheimer com vacinas que determinam a produção de anticorpos contra a proteína beta-amilóide já foi feita. Infelizmente, os primeiros resultados foram ruins, já que a resposta imune foi descontrolada e levou a severas lesões no sistema nervoso central nos pacientes que se submeteram ao procedimento. Em todo caso, é um caminho promissor.

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