Mal das drogas tem de ser combatido na origem
O fabrico, o tráfico e o consumo de drogas são os ingredientes de um gigantesco negócio de amplitude mundial, por isso de difícil contenção. Operando na ilegalidade, as corporações envolvidas municiam-se de bem estruturados mecanismos de defesa e competem em igualdade - e em certos casos em superioridade - com as forças legais de repressão. Quando há confrontos, a colheita de bons resultados é relativa e sempre elevada em prejuízos, pela perda de agentes policiais que tombam nessa exposição de peito aberto a fogo cruzado.
Conivências à parte - porque esse sinistro universo do crime organizado é poderoso e sedutor, por envolver dinheiro e vício, associados a segmentos de pobreza - uma batalha cruenta se trava, sem previsão de como e quando vá terminar. Os campos de combate são múltiplos, começando pelo pesado enfrentamento armado e as consequentes prisões e mortes, até as campanhas para recuperar drogados e evitar que adolescentes ingressem no vício.
Mas se, bem ou mal, vem sendo feito o que é possível, o problema tem de ser combatido na origem, que é o fabrico das drogas básicas, destacadamente a cocaína, da qual resulta também o crack. Isto demanda a deflagração de uma cruzada mundial e uma verdadeira campanha de guerra, com o uso de exércitos, aviões, helicópteros e armamento pesado. No Brasil, as poderosas organizações distribuidoras, entre elas as instaladas nos morros cariocas (que são as de maior evidência), são apenas pontos do vasto mapa do crime. Porque o núcleo desse nefasto sistema mundial está na fabricação das drogas - casos da cacaína, do ópio, da maconha e alguns sucedâneos. Combatido o mal na raiz, certamente não se chegará a extirpá-lo, mas ao menos diminuir-lhe a intensidade. Prender os pequenos traficantes é necessário, mas esta medida apenas atenua efeitos, sem eliminar a causa. Estes representam 70% dos traficantes presos (ou sendo processados) no Brasil, e a maioria não tinha antecedentes criminais e nem portava armas no momento do flagrante.
Pesquisa mostra que depois da ''escolaridade'' adquirida na prisão esses traficantes retornam ao meio social já marcados e com dificuldade de encontrar emprego. Alguns estabelecem contato no presídio com gente da pesada e permanecem na deliquência, com o acréscimo de voltarem violentos. Agora busca-se mudar a Lei Antidroga pela razão apontada. A proposta é aplicar as condenações segundo as circunstâncias. Esta é uma boa medida, para corrigir extremos e não gerar delinquentes piorados. Mas no geral o combate é ainda aos efeitos e não às causas.





