Making of - Como é organizado o vestibular da UEL
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Kellen Lopes<br> Especial para a Folha 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) divulgou na semana passada a concorrência do vestibular 2010. São 22.300 candidatos, que disputam 3,1 mil vagas, em 43 cursos de graduação. Mais uma vez o curso mais concorrido é medicina, com 54,06 postulantes para cada vaga.
Para organizar um processo seletivo desse porte, é necessário investimento em estrutura e muito cuidado com o sigilo. Por isso, os processos de elaboração e aplicação das provas, que podem definir o destino profissional de milhares de estudantes, envolvem cerca de 70 pessoas.
O vestibular 2010 da UEL será realizado em duas fases: a primeira no dia 15 de novembro e a segunda, nos dias 6, 7 e 8 de dezembro. A coordenadora da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops) da UEL Elaine Fernandes Mateus, responsável pela organização, fala nesta entrevista sobre o método de trabalho e os cuidados no preparo e aplicação das provas de um dos principais vestibulares do País.
Quais são os processos de produção do vestibular?
Fazemos um estudo da prova aplicada no último processo seletivo, analisamos e, com os dados em mãos, reconstituímos a equipe de estruturação da primeira fase. Iniciamos esse trabalho em março. Com essa equipe começamos o trabalho de definição dos temas, realinhamento da proposta com base sempre nos estudos do vestibular anterior.
Quando é preparada a segunda fase?
Em abril constituímos a equipe de estruturação da segunda fase. Essas equipes de estruturação da primeira e da segunda fases, a partir deste ano, foram constituídas de forma distinta.
Como é administrada a montagem das provas?
Os estruturadores se reúnem para fazer essa prova juntos. Todo esse trabalho é orientado pela equipe pedagógica da Cops. Esse processo vai ao longo de todo o ano. A primeira prova entra em fase final em setembro e a segunda, em outubro. E a cada dois anos nos reunimos para mudar as referências das obras literárias.
Como são os cuidados com segurança?
A diretoria pedagógica não tem acesso à internet. Os computadores têm acesso restrito por senha e também todo o trabalho da prova é feito aqui. As questões não saem daqui. O dia do trabalho da equipe é restrito, não se agenda outra atividade. Fazemos uma programação para que as provas não sejam impressas com muita antecedência. Após a impressão as provas ficam guardadas em malotes dentro de um cofre.
As equipes de estruturação mudam todo ano?
A equipe não muda sempre. Experiências mostram que estar participando há bastante tempo vai produzindo um conhecimento, um know-how do qual não queremos abrir mão. Trocamos de colaboradores quando eles têm algum parentesco de até terceiro grau envolvido no processo. Todos os envolvidos na elaboração e impressão assinam um documento afirmando não ter ninguém com algum grau de parentesco de até terceiro grau fazendo a prova.
Como vocês controlam isso?
Quando terminamos o processo de inscrição, fazemos um cruzamento de dados que faz uma verificação e indica. Temos consciência e as pessoas que se envolvem conhecem a responsabilidade do trabalho e o que significa o vestibular feito aqui na UEL.
No caso da redação, como é feita a escolha do tema?
É um trabalho também ao longo do ano. Fazemos estudos de temas, não diria presentes na mídia, mas que podem contribuir para que o candidato articule suas idéias e consiga argumentar. São pensadas e elaboradas várias propostas. A partir daí, vamos afunilando até chegar ao tema final. Isso é feito por outra equipe, diferente daquela que faz as demais questões do vestibular. Três pessoas participam da escolha do tema da redação. Essas três pessoas com mais dez fazem a correção. Total que pode variar de 12 a 15 pessoas.
Como funciona o processo de correção da redação?
No caso da redação é uma equipe composta pelas pessoas que propuseram os temas. A correção da redação é feita por duas pessoas, mas as leituras das notas são todas digitais. Quando há uma discrepância grande um terceiro corretor corrige a prova. Eles dão a nota do mesmo jeito que o aluno pinta o gabarito, preenchem, e depois passa na leitora. Essa prova passa uma vez na leitora, é guilhotinada e um corretor não vê a nota do outro. Depois passa novamente na leitora e o sistema dá a média e acusa se a diferença de nota for grande. Aquele que tiver essa discrepância volta para uma terceira pessoa que lê, sem que ela também saiba quais foram as duas notas anteriores.


