A política brasileira coleciona temas polêmicos. O mais recente está relacionado à discussão sobre a possibilidade de haver aumento no número de vagas de vereadores nas câmaras municipais de todo o País. Os legislativos têm até setembro para decidir sobre a matéria, mas a possibilidade em si já provoca reações bem acaloradas na população.
É difícil para o cidadão aceitar que exista a necessidade de ampliar as vagas nas câmaras. No entanto, é importante lembrar que o aumento no número de vereadores não se traduzirá obrigatoriamente em mais gastos. As câmaras deverão utilizar o mesmo percentual do orçamento dos municípios, que fica entre 3,5% e 7% (índice varia de acordo com a população das cidades). Em Londrina, por exemplo, o Executivo repassa 4,5% à Câmara.
Quem defende o aumento diz que a medida está amparada na lei. É verdade. A Emenda Constitucional 58, aprovada em 2009, alterou a Carta Magna, e permitiu acrescentar até 340 vereadores no Paraná - Londrina, por exemplo, poderia ter até 25 parlamentares; enquanto Maringá, até 23; e Foz do Iguaçu, até 21. Em todo o País, a mudança possibilita a abertura de 7,7 mil vagas. Mas será necessário?
Com uma máquina pública inchada e com sucessivas crises e escândalos políticos, a sociedade tem questionado o papel dos seus representantes. Matérias de interesse geral - como as reformas política e tributária - sequer saíram do papel, com seguidos adiamentos das votações. Enquanto isso, propostas que beneficiam os parlamentares como o aumento de verbas, de assessores e de vagas nas câmaras (como é o caso em questão) são rapidamente aprovadas.
Em alguns municípios paranaenses, a população começa a se mobilizar contra a proposta. Em Foz do Iguaçu, por exemplo, a associação comercial local faz uma pesquisa na internet para saber a opinião dos cidadãos. Em Londrina, a Câmara promete debater amplamente o assunto com a sociedade e os partidos políticos.
Talvez esse seja um momento de depuração, de discussão sobre o real papel dos políticos. É necessário o envolvimento de toda a sociedade para que posteriormente não se lamente mais uma decisão tomada - à revelia - pelos nossos representantes.

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