O desfecho resultante da intervenção do poderoso ministro Antonio Palocci para salvar a Medida Provisória 232 ainda não é uma definição final, mas é certo que os novos impostos nela contidos poderão ser criados ou seja, o que tange algumas atividades profissionais, como os agricultores e as empresas prestadoras de serviços até porque Palocci concordou em algumas concessões, especialmente com relação a esta última categoria, e espera com isso influenciar os deputados quando a questão voltar a debate. (Não se compreende como possa ser concessão o ato de amenizar uma punhalada que seria mais profunda). Antevê-se, portanto, mais uma vitória do arrocho tributário. Agora o Governo apresentará um projeto de conversão, apenas cedendo em parte e mantendo também os pontos da MP considerados essenciais para combate à sonegação fiscal. ''Dos males, o menor'', comemorou o ministro, depois de haver conseguido convencer o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, que havia jurado defender as partes atingidas, e entendeu-se que o destino da Medida seria simplesmente a sua retirada de pauta. O conceito dos males, para Antonio Palocci, foi o Governo não perder, e não os males que irão sobrar para os pagadores da conta. Este é um ponto merecedor de reflexão acerca da real conceituação da esfera governamental com o que é de interesse nacional e o que é de interesse do Tesouro. É visível o divorciamento do Governo com a classe que produz e presta serviços, pela manifestação da alegria do ministro, ao obter esta vitória inicial, e pelo descaso em não dar ouvidos a esses segmentos como se eles não representassem Brasil durante toda campanha de reação àquela Medida Provisória. É assim que as autoridades monetárias conceituam o que é um mal para a máquina arrecadadora e desperdiçadora e o que é de fato um mal para a cadeia produtiva. Resta saber o que fará agora a classe empresarial, porque a MP ainda não está votada e, portanto, não é lei, mas por ora o lobby da comunidade que emprega, gera desenvolvimento e impostos, foi derrotada. E o deputado Severino, ao aceitar tão facilmente os argumentos do ministro, mostrou frouxidão, ele que propagandeava a morte da MP. Não se sabe portanto se, com o pequeno afrouxamento no torniquete, o movimento contrário das lideranças da indústria e da agricultura irá continuar e como se comportarão a OAB, engajada na resistência, e partidos da oposição, destacadamente o PFL, que havia prometido derrubar a MP.

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