As discussões sobre o futuro Teatro Municipal de Londrina demonstram que a população está interessada, e esta é uma salutar maneira de participação. Pior seria se a decisão ficasse entregue apenas ao poder público e eventualmente não agradasse aos usuários dessa instituição, que serão os artistas, os estudantes de artes e, como figurante central, o povo que assistirá aos espetáculos. Da discussão (onde também pontificam discordâncias) nasce a luz, já diziam os sábios.
Na semana passada três entidades classistas e os três maiores shoppings centers da cidade publicaram nota neste Jornal sugerindo que o Teatro se localize mais no centro. Um dos locais apontados situa-se entre a Praça Tomi Nakagawa e a Praça Rocha Pombo, também próximas do Museu. Nesse novo ponto seria necessária a compra da respectiva área e a derrubada de prédios, incluindo um dos primeiros hotéis de maior porte contruído em Londrina - o histórico Hotel Berlim.
Os signatários da nota, pela ordem, são a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, o Sindicato do Comércio Varejista, a Bolsa de Cereais e Mercadorias e os Shoppings Catuaí, Royal Plaza e Com-Tour. A designação original do projeto é o Marco Zero, um ponto da zona leste da cidade onde os primeiros desbravadores acamparam, no início dos anos 30. O projeto global, nesse local, contempla um grande shopping, com hipermercado e centro de eventos, este um empreendimento privado, já definido e prestes a iniciar as obras. Por força de lei esses empreendedores doaram ao município uma área anexa, e nela decidiu-se construir o Teatro. Quem acompanha o noticiário sobre essa ambicionada casa de espetáculos - cujo custo é estimado em R$ 73 milhões e já está com o projeto arquitetônico pronto - sabe que a atual administração municipal pensou em transferi-lo para junto do projetado Jardim Botânico (obra do Governo do Estado que tem apenas o terreno e o desenho); depois houve um recuo, em face da reação contrária da população, por causa da distância.
Agora a nova proposta é apresentada trazendo o Teatro para área mais central. Com essa eventual mudança o projeto das fundações ou das áreas externas sofreria alterações, para comportar também o estacionamento de veículos. Porque este teria certamente de ser subterrâneo e com vários pisos. As idéias estão lançadas, cada qual segundo naturais interesses mas também visando a melhor localização e o benefício para a comunidade. Ao menos prevalece a opinião consensual de que o Teatro não pode localizar-se na área suburbana.

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