Mais uma polêmica para 2015
O que é possível fazer com um salário mínimo? Essa reflexão surge a cada 1º de janeiro, quando o piso salarial do trabalhador brasileiro é reajustado. Neste ano, passou de R$ 724 para R$ 788, o que equivale ao custo de 2,22 cestas básicas, conforme a Nota Técnica 143 divulgada na semana passada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A relação entre o custo da cesta básica e o valor do salário mínimo cresceu desde 1995, quando marcava o índice de 1,02. Ou seja, naquela época, com o salário do mês o trabalhador conseguia comprar apenas uma cesta básica. Hoje vale um pouco mais do que duas cestas, mostrando que o poder de compra da população cresceu nos últimos 20 anos. Embora tenha havido uma pequena queda de 2014 para 2015 - de 2,23 para 2,22. Por enquanto, uma diferença muito pequena.
A valorização do salário mínimo significa aumento de compra da população, acesso a novas oportunidades, serviço, cultura, informação e redução da desigualdade social. Obviamente, um trabalhador teria muitas dificuldades para sustentar uma família com o piso nacional. A pesquisa mensal que o Dieese realiza com base pela inflação indica qual o mínimo em vigência e quanto seria necessário para sustentar uma casa. Em dezembro, o salário deveria ser de R$ 2.975,55, ou 4,11 vezes o piso de R$ 724. Em 1995, essa diferença era de 10,3 vezes.
O salário mínimo entrou em 2015 rendendo polêmica para o governo federal e deve ainda dar o que falar nos próximos meses. Este é o último ano em que vale a regra atual de reajuste e a presidente Dilma Rousseff (PT) deverá propor ao Congresso Nacional a modificação ou a renovação do modelo em vigência. Atualmente, o piso nacional é definido pela combinação da variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
No começo do ano, o tema rendeu o primeiro desconforto entre Dilma e a sua nova equipe econômica. No primeiro dia de trabalho, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que o governo federal apresentaria ao Congresso uma nova regra valendo para 2016 a 2019. Dias depois, em uma nota oficial, ele desmentiu qualquer alteração. Possivelmente, a presidente deve ter avaliado que é muita mudança de uma só vez, lembrando que o governo acaba de propor restrições a benefícios do trabalhador como seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte.





