Embora a produção não seja grande na Assembléia Legislativa do Paraná, os deputados ficarão 120 dias ocupados com mais uma Comissão Especial de Investigação (CEI). Desta vez para apurar supostos erros e abusos na autorização de interceptações telefônicas, nos casos de diligências em curso no Estado. Requerimento nesse sentido, do deputado Fábio Camargo, acaba de ser aprovado. Ele argumenta que há casos em que os grampos estão sendo autorizados antes da abertura de inquérito.
  Óbvio que o cidadão tem direito à privacidade, conforme o parlamentar afirma, mas não é essa garantia que está sendo ameaçada e sim as conversas dos deputados e de toda a comunidade oficial. Mas tais confidências, quanto mais públicas forem, tanto melhor. A preocupação com uma CEI é, portanto, apenas de interesse do consumo interno da Casa. Não é a primeira vez que a Assembléia se ocupa da questão.
  Em 2006 ocorreu o episódio do policial civil Délcio Rasera, denunciado pelo Ministério Público por escutas telefônicas clandestinas e cuja Comissão Parlamentar de Inquérito não resultou em nada. E mesmo que resultasse, o caso não oferecia perigo à integridade dos cidadãos, porque não tirou a paz de ninguém no seio do povo. Na época o policial estava cedido à Casa Civil do Governo e se apresentava como assessor do governador Requião. O caso acabou até em galhofa, porque a oposição chegou a afirmar que se tratava de uma ‘‘CPI laranja’’.
  Se é atribuição da Assembléia defender a legalidade e denunciar ilicitudes, foi gasto muito tempo para nada no episódio. Não que se aprove escutas irregulares, mas o povo não se preocupa com isso. Ao contrário, gostaria de saber tudo o que se diz se grava às escondidas quando isso tem a ver com gente dos governos. Em verdade, a busca de contenção dessa prática tem servido mais para criar cortinas protetoras no âmbito do próprio sistema governamental.
  O cidadão comum, a não ser em caso de envolvimento em investigação policial, nunca será prejudicado por eventual escuta de suas conversas. Doravante, serão quatro meses de ‘‘trabalho’’ para discussão de um tema de baixa importância, quando questões mais relevantes de interesse do Paraná poderiam estar na pauta de preocupações dos 54 deputados que consomem fortunas para manter-se e manter suas assessorias e toda a estrutura que compõe o parlamento.

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