Mais um voto de confiança
Definidos os nomes dos ministros e demais ocupantes do primeiro escalão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 1º de janeiro, cabe à população brasileira torcer para que todos os escolhidos correspondam à expectativa neles depositadas pelo presidente eleito e, sobretudo, façam jus a mais esse voto de confiança que o eleitor, mesmo sem o direito de participar do processo de indicação dos ministeriáveis, hipoteca indiretamente. Entende-se que na democracia brasileira cabe à população eleger o presidente, os deputados e os senadores, no âmbito nacional. Quanto à nomeação dos que vão compor a equipe de confiança do futuro governo, este papel, pelo regime vigente, é outorgado pelo eleitor ao presidente eleito.
Ainda assim, a expectativa da população é a de que os homens de confiança de Lula respondam à altura às suas missões, cuja prioridade, neste momento, é dar soluções para os problemas emergenciais do País e, posteriormente, trabalhar projetos que levem o Brasil a um desenvolvimento harmônico e com justiça. Nem todos os escolhidos, porém, inspiram total confiança. O eleitor, com justa razão, encara com desconfiança alguns dos convocados, entre eles o nome indicado para a presidência do Banco Central, o deputado federal eleito Henrique Meirelles. Afinado com o sistema vigente e com o mundo financeiro internacional, Meirelles desponta como a primeira decepção na equipe de Lula. Quanto à definição de Ciro Gomes, previa-se, desde o início da campanha do segundo turno, que o ex-candidato teria vaga em algum posto estratégico do futuro governo.
O ideal seria que mesmo por força dos acertos políticos de campanha e isso no Brasil infelizmente é convenção os indicados agradassem à maioria dos eleitores. Se o regime político permite, por outro lado o senso comum, em muitos casos, desautoriza. Medir na balança o que vale mais o regime vigente ou o bom senso apresenta um resultado incontestável: o eleitor que elegeu o presidente é quem sempre tem a razão.
Nem por isso merece descrédito o governo que assume em 1º de janeiro. Basta haver consciência que a população votou por mudanças e isto ficou claro em outubro e quer mudanças. Se o passado de alguns nomeados roubam deles créditos para com a população, aposte-se, pelo menos por enquanto, que estes estão cientes de que o Brasil, a partir de agora, tem que ser outro.





