Pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) comprova uma situação vexatória. De 40 países analisados, o Brasil paga um dos mais baixos salários para o professor primário. Só o Peru e a Indonésia estão em pior situação nesse ranking vergonhoso. Em valores, os dados do levantamento são de que o professor brasileiro em início de carreira, incluindo os da rede privada, recebe menos de US$ 5 mil por ano, enquanto na Alemanha é de US$ 30 mil e em Portugal de US$ 50 mil. Um detalhe: o comparativo, em moeda americana, foi feito antes da desvalorização do real, o que significa, conforme reportagem publicada nesta edição, que hoje a diferença é mais gritante.
Algumas conclusões são extraídas dessa pesquisa pelos dois organismos internacionais. Uma delas, a de que os baixos salários desestimulam os jovens para a carreira, o que é mais do que evidente. E os que estão no magistério e têm alto nível de educação acabam trocando de profissão. E mais uma vez o ranking que deveria fazer corar os governantes, mas parece não ter efeito: apenas 21,6% dos professores primários do Brasil possuem diploma universitário, enquanto no Chile o índice é de 94% e nas Filipinas todos os professores passam por uma universidade antes de enfrentar uma sala de aula.
A sociedade brasileira e especialmente os professores tem um papel importante a desempenhar no próximo domingo, 6 de outubro. As urnas, se não têm como eliminar os candidatos que nem fazem idéia dessa situação, poderão, ao menos, ajudar o eleitor a fazer uma triagem. Depois, a máquina eletrônica do voto será obsoleta na missão de fazer os políticos entenderem que, entre muitas distorções, esta, a da educação, é uma das mais gritantes. Então só a conscientização de todos, para cobrar os tais políticos, valerá à pena.
Walter Ogama

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