Mais um passo para a moralização
Inclusive na renúncia do mandato o deputado Severino Cavalcanti age por conveniência, para não correr risco de cassação e, assim, tentar o retorno na próxima eleição. Em seu inflamado discurso de ontem, em que manifestou o inconformismo por ser forçado a cair fora - proclamando-se vítima - ele foi enfático em dizer que voltará. Dele, não se esperava outro comportamento. Mas, independente disso, o desfecho contribui, um pouco mais, para o saneamento do meio parlamentar, ao tempo em que desperta esperanças de que a moralidade pública vá, aos poucos, se instalando. O episódio da saída de Severino demonstra que não há intocáveis e que mediante a coragem de formalizar e sustentar denúncias, quando há desmandos, é possível promover expurgos ou forçar que eles aconteçam. O saneamento em definitivo, entretanto, só será coroado quando o governo deixar de blindar deputados de seu partido acusados da prática do mensalão. É fundamental a persistência na pressão, por parte dos cidadãos e dos veículos de comunicação, como vem ocorrendo. O público pode fartar-se ante tanto noticiário do gênero, mas este é o caminho para se chegar a bons resultados. Revela-se eficaz o encurralamento a parlamentares nocivos, até o ponto de obrigá-los a uma tomada de decisão - quando eles não são simplesmente cassados, como aconteceu com Roberto Jefferson. A cruzada, por parte da comunidade sã do Parlamento e por via da manifestação da opinião pública, deve continuar, para que sejam afastados outros tantos que enodoam a imagem do Poder Legislativo e para que esses acontecimentos sirvam de exemplo aos futuros candidatos e ao eleitorado. As recentes renúncias - oportunistas que sejam - a cassação havida e a prisão do notório político Paulo Maluf, são sinais de que o círculo vai se fechando em torno dos políticos corruptos, embora isto seja apenas um tímido começo. Há muito ainda por fazer para a limpeza do campo, porque alguns chiques e famosos, historicamente envolvidos em denúncias de corrupção de todas as espécies, conseguem resistir a tudo e vão sendo reconduzidos ao poder a cada eleição, porque o eleitorado também não tem grande consciência. A política da troca de votos por benefícios ainda persiste, e muitos candidatos, sabidamente corrompidos, são reeleitos por esse expediente. O que os cidadãos esperam é eficiência do Congresso, no sentido de continuar a campanha de afastamento dos inservíveis e de não paralisar o processo de exame e aprovação das grandes reformas, reclamadas pela nação. É possível operar nos dois sentidos, porque o tempo vai passando veloz e há muito por fazer.





