Mais um mensalão
De repente ficou mais claro o motivo pelo qual as rodovias federais brasileiras não repassadas à iniciativa privada apresentam, em sua maioria, problemas profundos de infraestrutura. As denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a estatal Valec (Engenharia, Construções e Ferrovias) são graves e devem ser apuradas, mesmo que Alfredo Nascimento tenha pedido demissão.
O escândalo veio à tona após reportagem da revista ''Veja'' afirmar que representantes do PR, partido que comanda os Transportes, e funcionários da pasta e de órgãos vinculados ao Ministério teriam montado esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina. Um ''pedágio político'' de 4% a 5% sobre o valor das obras seria cobrado de empreiteiras e consultorias de engenharia.
Pelo menos 11 contratos apresentaram irregularidades, segundo análise do Tribunal Contas de União (TCU) - em duas ocasiões foi recomendada paralisação do trabalho. O Ministério não só manteve o cronograma como aumentou a verba, uma soma que chega a R$ 113,5 milhões extras.
Esse é o segundo escândalo que resultou na queda de homens fortes do atual governo, Nascimento e Antonio Palocci, ex-ministro-chefe da Casa Civil. E ambos têm pelo menos dois pontos em comum: fizeram parte do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foram indicados por ele; e precisam explicar o milagre da multiplicação de patrimônio. No caso de Palocci, o crescimento foi de 20 vezes em quatro anos. Já no de Nascimento, a empresa de seu filho viu seu patrimônio crescer 86.500% em dois anos.
São denúncias graves que merecem ser apuradas com rigor. A simples saída de Nascimento do cargo não resolve a questão. É preciso que o Senado, para onde retornou ontem o ex-ministro, apure as denúncias e, caso comprovadas, aplique a punição devida. Trata-se de uma boa oportunidade também para o governo Dilma sanear uma área vital para a economia e que se mostra frágil diante dos interesses políticos. Porém, a julgar pelas negociações de bastidores, a presidente continuará refém do PR que mais uma vez indicará o titular da Pasta dos Transportes.





