As denúncias contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, merecem rigor na apuração. Turbinada pela realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, a pasta concentrará nos próximos anos grande volume de recursos destinados às obras. Além disso, o caso reafirma uma prática muito arraigada na cultura política brasileira: a corrupção.
Desde que assumiu o governo, a presidente Dilma Rousseff (PT) já trocou seis ministros: Alfredo Nascimento (Transportes), Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (Relações Institucionais), Nelson Jobim (Justiça), Pedro Novais (Turismo) e Wagner Rossi (Agricultura), além de dezenas de comissionados lotados em escalões inferiores dos ministérios. Até o momento, a presidente tem tirado do seu governo pessoas envolvidas em escandâlos de corrupção, o que não foi o caso de Jobim. No entanto, é o que se espera de uma chefe do Executivo, mas não é só isso. Definitivamente também é preciso punição. A impunidade é um dos combustíveis para que casos deste tipo continuem ocorrendo.
Sobre as denúncias contra o ministro Orlando Silva, outro fator que aflora é a relação entre órgãos governamentais e ONGs. É claro que não se trata de generalizações, mas em muitos casos já foi estabelecida uma relação de promiscuidade, onde - mais uma vez - o interesse individual se sobrepõe ao coletivo. O ministro está sendo acusado de receber dinheiro na garagem do ministério, o que obviamente ele nega. No entanto, é importante lembrar que em 2008 surgiram acusações de que ONGs ligadas ao PCdoB (partido do atual ministro) recebiam recursos de convênios firmados com o ministério. No ano seguinte, parecer do Tribunal de Contas da União afirmava que o ministério não tinha capacidade operacional para fiscalizar as parcerias com ONGs.
Decreto presidencial já endurece algumas regras para que sejam firmadas parcerias com ONGs. Talvez não seja o caso de acabar com esses convênios, uma vez que entidades sérias têm sido beneficiadas, mas uma fiscalização efetiva precisa ser feita, com urgência.

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