Mais um ano de escalada vertiginosa da corrupção
O ano findo também foi farto em "dinheiro sujo" para uma grande maioria dos parlamentares
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
O ano findo também foi farto em "dinheiro sujo" para uma grande maioria dos parlamentares
Ludinei Picelli 
Cada ano que passa a corrupção fica mais escancarada nos poderes da República. O sonho da classe política foi realizado: acabar com a Lava Jato e tentar isolar politicamente quem quer combater a bandalheira. Trata-se de um corporativismo perverso, instalado nas entranhas do poder, que se impõe ferrenhamente às atitudes mais enérgicas contra os corruptos, o que agrada totalmente à todas ideologias e siglas partidárias.
No contexto atual de corrupção galopante, em 2025 novos escândalos se sucederam, indicando um cenário de piora acentuada nos índices de probidade na governança pública do país. Depois de presidentes sobreviverem politicamente à rapinagem do mensalão e do petrolão, emergiu da lama o quadrilhão do INSS, responsável pelo roubo de mais de R$ 6 bilhões dos aposentados e pensionistas.
Um crime hediondo pela crueldade como foi praticado contra as já minguadas aposentadorias, tirando o dinheiro dos remédios e da mesa dos mais necessitados. Essa sordidez repugnante começou a ser praticada em 2018, atravessando impunemente três mandatos presidenciais, sendo que o volume maior da pilhagem ocorreu no atual governo.
Uma teia reunindo associações, entidades sindicais e dirigentes do próprio INSS, incluindo um ex-presidente da instituição, está envolvida nas falcatruas. Inexplicavelmente, pessoas muito próximas ao alto escalão do governo, com notório grau de suspeição na trama, foram excluídas das investigações. Uma blindagem escancarada e vergonhosa!
O ano findo também foi farto em "dinheiro sujo" para uma grande maioria dos parlamentares. As execráveis emendas secretas propiciaram que bilhões de reais fossem retirados dos cofres públicos, indo parar nos bolsos desses bandalhos, enriquecendo ilicitamente deputados, senadores, prefeitos, vereadores, entre outros mancomunados com essa inaceitável e deplorável forma sigilosa de distribuição de verba oficial. Não dá mais para aceitar essa imoral falta de transparência na destinação desses recursos; o dinheiro que deveria se transformar em benefícios da população, está sendo apoderado por ladrões do colarinho branco. Isso é um insulto e um acinte que nos causa muita revolta, inconformismo e indignação. Um verdadeiro tapa na cara dos brasileiros!
No cerne dessa ladroagem oficial está o jogo de poder que sustenta apoios recíprocos entre o Executivo e o Legislativo, alimentado por barganhas inescrupulosas e antiéticas. De um lado, um mandatário que precisa aprovar as suas demandas no governo, do outro, líderes das casas legislativas protagonizando suportes infamemente negociados. Dirigentes parlamentares de autoridade fragilíssima, de submissão desconcertante e matreiros calejados no "toma-lá-dá-cá" completam esse "status quo" de uma governança corrompida. Malas de dinheiro vivo e cofres abarrotados de papel-moeda, camuflados em próprios particulares de parlamentares, de prefeitos e da corja que os rodeiam, retratam fielmente a razão das emendas serem secretas.
E colocando a "cereja no bolo das falcatruas escandalosas", no ocaso deste ano de acentuada corrupção, a liquidação de uma instituição financeira, protagonista do maior desfalque da história bancária do país, expôs o repulsivo comprometimento entre autoridades constituídas e réus investigados pela fraude bilionária.
Se perguntássemos à população brasileira quais as piores mazelas que corroem a dignidade do país, certamente a classe política/governamental seria uma delas. A corrupção sistêmica quebra a confiança dos brasileiros no governo, nas leis e nas instituições, gerando um sentimento de descrença e impunidade.
Lamentavelmente, o Brasil está perdendo a guerra contra os corruptos.
Ludinei Picelli, administrador de empresas


