Mais um adeus às ilusões - Carlos Roberto Rodrigues Alves
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Carlos Roberto Rodrigues Alves 
Julho, dia 12. Era uma vez um sonho que não deu certo. Neste domingo, as cores do sol tropical preferiram brilhar em outra pátria, bem distante. Quando meus amigos tentaram enxugar minha lágrima teimosa, disse-lhes que preferia o vazio impreenchível do sofrimento. Cheguei mesmo a enxotar meus consoladores. Naquele momento de frio, só queria ter por amigas as minhas lágrimas.
Tentei refletir sobre as razões da minha dor. Descobri-as, do ponto de vista pragmático, serem sem razões. Afinal, o que ganharia eu pelo fato de a Seleção ter conquistado o pentacampeonato? Sei que os jogadores sim! Empanturrar-se-iam, ainda mais, com cachês, jetons, publicidades e outros contratos mirabolantes (talvez a raiz principal da derrota). Mas e eu? Continuaria a ver meu saldo bancário com o mesmo matiz de meu sangue latino.
Mas agora que a conquista é adiada para o próximo milênio, que choro eu então no meu choro-sem-razão? A solidariedade por Ronaldinho? A compaixão por Taffarel? A piedade por Dunga? Com certeza não! Seriam lágrimas perdidas! Mais justo seria derramar lágrimas de indignação por um futebol artístico e romântico que foi exterminado pela estupradora máfia do poder econômico e pelo espírito venal dos malditos cartolas.
A pergunta insiste em ser respondida. Que entôo eu no meu lamento lacrimoso? Acho que a razão do meu pesar está na mesma razão da tristeza de milhões de brasileiros sofredores que, por viverem com suas veias abertas, precisam de heróis, símbolos do nosso eterno desejo de sermos valentes, audazes, vencedores. Isso mesmo! Os sofredores precisam de ídolos para que disfarcem a pena de viver em condições sócio-econômicas-pré-revolução-francesa.
Mas agora que nossos gladiadores foram vencidos, todos sentem o frio da derrota. Inúteis as firulas palavreadas para dizer que o prêmio de vice também é grande. Todos sabemos que isso seria verdade se aplicado a outros esportes.
Temos que chorar mesmo! Afinal, o que não tem remédio remediado está. Temos que chorar um sonho que se desfez. Sonho de pelo menos neste teatro futebolístico, onde somos os pretensos imperadores, ter a luz dos holofotes sobre nossa existência.
Porém, o final da festa nos sentenciou que não há happy end. Agora só nos resta, mergulhados de novo no anonimato da multidão, rezar para que as luzes do mundo não estejam voltadas para o nosso cenário real para mostrar que somos campeões em modalidades avessas à cidadania de nossa gente. Só nos falta rezar para que, na falta de circo, que venha o pão para o povo.
- CARLOS A. RODRIGUES ALVES é professor em Curitiba


