Se a tarifa do pedágio não pode ser diminuída, sob a alegação de que fere cláusulas contratuais, não se entende como pode haver a possibilidade de um aumento extra de compensação, como prenunciam as concessionárias ante a lei de isenção do deputado Antonio Anibelli ora sancionada pelo governador Roberto Requião. Essa lei beneficia proprietários de 430 mil veículos, de 27 municípios, mas a representação paranaense da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias já fala em subir tarifas para cobrir o lucro a menos representado pela medida governamental. A nebulosa questão parece girar em torno do ''se''. Se o Governo toma uma atitude que contraria seu interesse de ganho, a ABCR faria o mesmo aumentando tarifas para não perder nenhum tostão.
Distorções de entendimento contratual já vigoram, porque as concessionárias não realizaram obras fundamentais, como duplicações de rodovias - a não ser em pequeníssimos trechos - e não se sabe até onde a outra parte nos contratos, que é o governo estadual (leia-se o povo), pode contestar isto na Justiça. Se prevalece a doutrina da obediência à lei, será preciso que também o Ministério Público - que é o defensor das causas da sociedade - examine a questão da vultosa arrecadação das concessionárias e o correspondente retorno em obras mais pesadas, que não está ocorrendo. Também não se sabe quanto as empresas conveniadas arrecadam, e o próprio Departamento de Estradas de Rodagem desconhece o número de veículos que cruzam pelas praças do pedágio. Esse órgão interveniente busca informações nas próprias concessionárias, e não certamente porque confia nelas mas pela ineficiência de fazer o controle próprio.
A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná manifesta-se apreensiva com a lei de Requião - e a hora não é para pronunciamentos atravessados, ademais de uma entidade antipedágio como esta - e teme que alguém tenha de pagar a conta e que este alguém seja o setor produtivo. A questão é como pode existir uma brecha nos contratos que venha a permitir um aumento extra de tarifas ao gosto das empresas, como contrapartida do ato governamental. Parece estar-se diante de contratos anárquicos, sujeitos ao sabor de impulsos e sem concessões. Para as concessinárias a função social não conta, mas apenas ganhar.
Se a lei é apenas um gota d'água por beneficiar um número relativamente baixo de veículos num universo de quase 4 milhões deles, ao menos o governador Roberto Requião defende os usuários e luta contra esse sistema implantado por Jaime Lerner. Qualquer vitória sobre o pedágio é valiosa. Porque essa bitributação - assim como a CPMF, agora também em pauta - figura entre os mais perversos impostos.

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