MAIS RIGIDEZ - 'É preciso acabar com o excesso de paternalismo'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Paula Costa Bonini<BR>Reportagem Local 
Os casos de violência nas escolas tiveram grande repercussão este ano. Em setembro, um garoto de 9 anos morreu após ser baleado dentro da sala de aula em uma escola em Embu (SP). No mês passado, outro menino de 9 anos morreu com um tiro na cabeça no pátio da escola onde estudava, em Caratinga (MG). Ele estaria brincando de roleta russa com um revólver levado por um colega três anos mais velho.
Outra situação que gerou repercussão e indignação foi a morte, também ocorrida no mês passado, do professor de Educação Física Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos. Ele foi morto a facadas no campus do Instituto Metodista Izabela Hendri, em Belo Horizonte (MG). O princial suspeito do crime é o aluno Hamilton Loyola Caires. A motivação: o estudante estaria insatisfeito com suas notas.
Para o diretor-geral do Colégio Maxi Virgilio Tomasetti, os crimes em ambiente escolar são consequência da falta de leis mais rígidas e de punição dos culpados. ''Os crimes poderiam ser evitados se as leis não fossem tão estúpidas no Brasil'', alfineta. Segundo ele, uma das formas de evitar os homicídios é permitir que as escolas tenham o direito de revistar as mochilas, sem que a atitude seja considerada constrangedora para os alunos.
Com uma experiência de quem atua há 38 anos na área da educação, Tomasetti, que também é conselheiro familiar, avalia que as leis voltadas às crianças e aos adolescentes não deveriam ser tão brandas. Ele defende também que o Estado controle o número de filhos por família. ''Se as pessoas não têm condições de ter filhos o Estado deve providenciar um meio de evitar a proliferação'', afirma.
A impressão que se tem é que a violência está crescendo muito nas escolas. Quem são os responsáveis por essa situação caótica?
Quando acontece um fato de violência dentro da escola a culpa pode ser da instituição por ter permitido a entrada de um aluno com uma arma. No entanto, a escola pode alegar que é proibido revistar as mochilas, a fim de não causar constrangimento às crianças e aos adolescentes e, por isso, não poder ter conhecimento do que entra com os alunos. Isso é uma grande estupidez. Os maiores culpados da violência cometida nas escolas são os pais por terem arma de fogo dentro de casa. Por isso, se alguém tem que pagar pelo crime cometido pelo menor são os próprios pais, que devem ser processados no âmbito cível e criminal.
De que forma as escolas podem evitar atos violentos em suas dependências?
Os crimes poderiam ser evitados se as leis não fossem tão estúpidas no Brasil. As leis deveriam permitir que as escolas revistassem a mochila dos alunos sem que isso causasse constrangimento. Atualmente somos revistados nos aeroportos, nos estádios, hospitais etc. E por que não na escola? Os pais têm o direito de deixar seus filhos em um local tranquilo. A escola não pode revistar seus alunos, mas e quando um adolescente dispara um tiro contra outro colega? Aí a culpa é da escola? Por isso, defendo a revista dos alunos com a presença de testemunhas e até filmada.
Mas o senhor não acha que a revista é uma invasão desnecessária?
Não. Em prol da segurança eu não me importaria de ser revistado. Quem não deve não teme. Para não causar constrangimento a revista na escola deve acontecer em um local apropriado e de forma educada. Isso evitaria a entrada de drogas, armas e bebidas alcoólicas, diminuindo a violência nas escolas.
O que as famílias podem fazer para minimizar o problema?
Hoje já existe o crime de omissão parental, mas poucas pessoas colocam isso em prática. Cada vez mais é preciso chamar à responsabilidade os pais, a família. Alguém tem que pagar pela desestrutura das famílias. É muito fácil um pai bêbado colocar nove filhos no mundo. O homem deve pensar antes de fazer tantos filhos. A responsabilidade chega a ser do Estado. Nos Estados Unidos tem uma Lei que autoriza a realização da vasectomia em pais irresponsáveis. Se as pessoas não têm condições de ter filhos o Estado deve providenciar um meio de evitar a proliferação. Há quem alegue que isso é anti-democrático. O que é anti-democrático é deixar um filho no mundo sofrendo. É preciso acabar com o excesso de paternalismo.
Os governos, por sua vez, investem em educação, saúde e cultura, a fim de minimizar a violência?
Não. Isso é utopia. Qualquer governo investe em construção de escola porque dá voto. No entanto, não se preocupam com a manutenção das instituições, como pagar bem os professores, manter as estruturas. Mas não é a falta de investimento que resulta na violência. Em países desenvolvidos também existe violência.
Então qual a causa do problema?
Atualmente o mundo conta com 7 bilhões de pessoas. Os problemas crescem em progressão geométrica e não mais aritmética. A depressão atinge 2 bilhões de pessoas. Hoje os males são maiores e atingem um número maior de pessoas. O país pode ser o mais equilibrado do mundo, mas vai ter casos de violência, mesmo que de forma isolada. Os valores estão cada vez mais efêmeros.
As pessoas estão perdendo os valores?
O mundo está vivendo um grande egoísmo social. As pessoas casadas pensam até onde eu vou e não até onde nós vamos. Além disso, existe uma terceirização da educação. Os pais deixam para a escola o que é função da família. E se esquecem que é o binômio família e escola que produz um bom resultado. Outro grande problema da atualidade é a expansão do uso de drogas, que acabam com o sistema nervoso do cidadão, que fica incapacitado de diferenciar o certo do errado, o bom do ruim. A pessoa viciada perde a noção de tudo, roubando pai e mãe.


