Mais responsabilidade, pouco respeito
O resultado de um estudo publicado segunda-feira nesta FOLHA mostra uma mudança no peso da população mais velha na economia doméstica. Com a valorização do salário mínimo, as aposentadorias passaram a ter valor maior no fechamento das finanças familiares. E não é incomum serem os idosos os principais provedores.
A pesquisa, coordenada pela Universidade de Manchester (Inglaterra), foi realizada nos anos de 2002 e de 2008, no Brasil e na África do Sul. Aqui os pesquisadores visitaram cerca de mil domicílios com pessoas acima de 60 anos, nos estados do Rio e da Bahia. Lá foram entrevistados 1,1 mil domicílios de três regiões.
Fazendo um paralelo entre renda domiciliar per capita e bem-estar, a pesquisa concluiu que, no Brasil, benefícios como pensões e aposentadorias contribuíram para a retirada de uma em cada cinco famílias da linha de pobreza (que abrange pessoas que recebem menos de US$ 1 por dia).
De um modo geral, a população está envelhecendo em um ritmo mais rápido nos países em desenvolvimento que nos desenvolvidos, afirmam especialistas. O Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstrou que a faixa etária entre 0 e 19 anos, que em 2000 representava 40,17% do total, passou para 32,95% em uma década.
Enquanto isso, a proporção de pessoas com mais de 60 anos passou de 8,57% para 11,16% em dez anos. Se as projeções se confirmarem, em 40 anos teremos uma estrutura etária semelhante à francesa.
Se por um lado os idosos estão tendo mais importância no desenvolvimento econômico familiar, por outro continuam sofrendo com velhos problemas. A sociedade não está preparada para atender esse público. E o pior, as ações nesse sentido são poucas e tímidas.
É preciso garantir aos idosos o acesso aos direitos básicos, afinal eles têm contribuído e muito para a redução das mazelas sociais.





