Enquanto o presidente Lula declara (na Arábia Saudita, onde se encontra) que ''o Brasil vive momento de ouro na área do petróleo'' - e nesta sua ida àquele país busca recursos para exploração do pré-sal (a extração de óleo das águas profundas) - estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) demonstra que os ventos poderiam atender a pelo menos 60% do consumo nacional de energia elétrica. Porque em quase todos os pontos do País a velocidade dos ventos é adequada.
Petróleo não se vincula diretamente à energia elétrica e sim a veículos, a motores estacionários e outros equipamentos, mas a busca de alternativas aponta para a progressiva tendência de adaptar a elas tais motores. Petróleo é energia suja, que se associa às geradoras térmicas como usinas a diesel, a gás, a carvão, a biomassa e as nucleares. Ademais o pré-sal consumirá dinheiro que escasseará para empreendimentos mais urgentes e para a saúde, a moradia popular e a educação.
Quando o aquecimento global deixa de ser uma hipótese e se converte em realidade, é mais que tempo de pensar no abandono gradativo das energias sujas e buscar as tantas outras fontes limpas e viáveis. No Brasil, o presidente Lula caminha na contramão do alerta que emana das cabeças mais sensatas do mundo e que apontam para a prudência ou o mundo se converterá num caos dentro de algumas décadas. Porque o efeito estufa da queima de óleo fóssil eleva a temperatura no mundo e aumenta a proliferação de mosquitos e a consequente intensificação das doenças tropicais, podendo desestabilizar todos os sistemas de controle da saúde, notadamente nos países pobres e já por natureza quentes, Brasil incluído. E o derretimento das geleiras (que já está acontecendo) começou a aumentar o volume da água dos mares e já inunda algumas ilhas mais rasas. Contudo, isto não sensibiliza os governantes mundiais, ressalvando-se a preocupação já manifestada do presidente Barack Obama, que quer diminuir a emissão de gases poluentes das indústrias de seu país. E é inacreditável que o atual Plano Decenal de Expansão de Energia, do Brasil, prevê o aumento do uso de fontes energéticas térmicas, incluindo a sempre perigosa energia nuclear, pelo risco de vazamento de radiação.
Existe também o fortíssimo lobby das empreiteiras, ávidas por realizar obras dos governos, e o setor enérgico - o sujo e o limpo - é um dos pontos atraentes, pelo volume do investimento. Outra verdade não levada a sério é que pode-se economizar energia adaptando-se motores e equipamentos domésticos, o que propiciaria considerável redução de investimentos em fontes de geração energética.

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