Mais pedágio criando transtorno
O ato lesivo aos cidadãos, assinado pelo governador Jaime Lerner ao instituir o pedágio, continua causando estragos. Agora a região atingida é a de Jacarezinho. Porque mais uma praça de pedágio foi instalada entre esta cidade paranaense e a vizinha Ourinhos, no Estado de São Paulo. E ao preço de R$ 7,90 para cada sentido. O distrito de Marques dos Reis ficou sitiado, porque a freguesia de fora afastou-se e o lugarejo pode definhar. É o pedágio causando transtornos e, pior, gerando pobreza. Já aconteceu com grande número de restaurantes das margens das rodovias, em todo o Paraná, que passaram a receber menos fregueses especialmente caminhoneiros e perderam renda ou tiveram de fechar porque o dinheiro das refeições passou a ser engolido pelos guichês do pedágio. A concessionária dona do novo pedágio fez algumas ''concessões'', mas não se concebe conceder algo a quem já era possuidor do direito. Veja-se o disparate da assessora de comunicação do pedágio: ''O que havia de irregular era o absurdo cometido por motoristas, que queriam fugir da cobrança''. Imagine-se que alguém arme um campo de tortura e quem passar longe dele ser qualificado de infrator! Isto é o fim da ordem e do estado de direito. O grave é o exemplo de um cidadão um ex-delegado de Jacarezinho, citado na reportagem deste Jornal a respeito que admitiu que ''praticava uma irregularidade'' ao usar um desvio. A contínua submissão ao arbítrio inocula os cidadãos e os faz perderem a consciência dos próprios direitos. Um advogado da região chegou a declarar que achava ''errado furar o pedágio'', embora admitindo que a tarifa é alta demais. Seria como uma pessoa achar errado não ir entregar a carteira ao assaltante. Não há erro em buscar desvios, porque mesmo a quem está encarcerado é livre o direito de tentar a fuga. O erro não reside nos desvios e sim na cobrança de quem já era (e é) proprietário da rodovia. Será preciso sempre mencionar isso, ou os usuários acabarão conformando-se com a arbitrariedade institucionalizada e imaginar que terão de aceitá-la resignadamente, sem protesto e sem luta. As concessionárias estão estribadas em contratos e por isso agem sem complacência. Elas são um poder amparado por laço contratual dentro de outro poder, o poder do Estado, e se enriquecem à custa do definhamento de usuários, de comerciantes e de um lugar, citando-se no caso Marques do Reis, que foi isento de pedágio mas viu ser fechada a entrada da freguesia de fora, que adquiria especialmente artefatos de cerâmica, e agora, com razão, foge dos R$ 15,80 do pedágio. A paciência dos usuários poderá chegar a um ponto de explosão.





