A globalização existe há muito tempo. Do momento que um camelo transportava alguma mercadoria em seu lombo, atravessando o deserto árabe, para servir uma longínqua aldeia, na antiguidade, tínhamos uma pequena globalização se evidenciando. Os fenícios e depois os portugueses, que foram pioneiros em comércio, já estavam globalizados há muito tempo.
No passar dos anos, com menor ou maior intensidade, o mundo vem sendo globalizado. Na era da informação eletrônica, então, a globalização não tem mais limite. Sabe-se instantaneamente, num lugarejo da Índia, ou numa aldeia do Peru, o que se passa em Nova York. Compra-se uma camisa pela Internet, de Paris para Xapuri. Um produtor de soja de Cascavel ordena a venda de sua colheita, com uma ordem para Chicago. A globalização é inevitável.
Em Davos, na Suíça, o encontro Fórum Econômico Mundial reuniu a elite do mundo desenvolvido. Chefes de governo e de estado, líderes políticos, acadêmicos, empresários e Ongs que discutiram temas tais como sustentar o crescimento e reduzir as desigualdades, perspectivas de globalização e as doenças causadas pela pobreza.
Em Porto Alegre, ao mesmo tempo, aconteceu o Fórum Mundial Social, cujo encontro discutiu a anulação da dívida do mundo subdesenvolvido, a reforma das instituições financeiras internacionais, a criação de imposto sobre movimentação de capitais e a fixação de novas regras para o comércio mundial. Com patrocínio da esquerda, o fórum, contrário à globalização e ao neoliberalismo, apresentou alternativas utópicas. Como seria maravilhoso, se todos pudessem contrair dívidas e depois não honrá-las. Que espetacular, taxar (mais ainda) os capitais e aplicar os recursos no social. Que visionário, fixar regras para comércio mundial. Ficaríamos nós aqui, produzindo nosso milho, soja e café made in Brazil, mas não conseguiríamos comprar e operar um computador feito pelo Tio Sam.
Ao cancelar dívidas, mesmo dos países subdesenvolvidos, que realmente têm grandes dificuldades para honrá-las, esquecem-se os idealizadores que elas foram contraídas para construir fábricas e criar empregos, ou então para governos que os usaram para saneamento, saúde e educação.
Ao calotear as dívidas, devemos lembrar que logo mais não teremos um novo emprestador lá de fora, pois seu recurso é oriundo de poupador global, alhures planetário. Ou então quando voltar a nos emprestar será com juro de inadimplente, mais caro.
Taxar capitais, então, é mais nefasto. Deixo-o parado, sem criar riquezas, sem proporcionar novos empregos e com isto, aumento a miséria.
Grande parte das pessoas está alijada do contexto social, da qualidade de vida, dos padrões humanos. Trazer essa grande massa para dentro é dever de todos: governantes, líderes e comuns cidadãos. Mas culpar a globalização inevitável, o liberalismo e o livre mercado são desculpas de incompetentes, principalmente governos. E eles estão em muitos lugares.
Dar oportunidade aos seres humanos com a menor intervenção do Estado é, com certeza, a fórmula mais adequada para que as pessoas prosperem, possam se igualar aos seus semelhantes e estarem globalizados também.
Como se vê, há uma grande corrente do atraso. Pessoas de diversos cantos do mundo que ainda pensam de forma equivocada. Pensamento de esquerda e socializante que busca soluções teóricas para a humanidade, mas de prática totalmente equivocada.
- ALFREDO KAEFER é empresário do setor agroindustrial de Cascavel
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