As palavras que dão título a este escrito são do jornalista Marcelo Soares, em entrevista à FOLHA. Ele se refere ao ''Portal da Transparência'' aberto na internet pela Assembleia Legislativa do Paraná que para ele está menos para a clareza e mais para a opacidade - o que quer dizer opaco, insuficiente. É melhor do que havia antes, mas ainda é pouco porque o portal não tem dados sobre contratos, compras e licitações da Casa e nem das viagens dos parlamentares.
Correspondente no Brasil de um jornal norte-americano, ele diz que nos Estados Unidos o site do Senado permite que se saiba, on-line, com quem os senadores se encontram e conversam. Isso possibilita que os cidadãos acompanhem que tipo de lobby está influenciando a situação do parlamentar. Essa lembrança vem a propósito do caso recente de uma anunciada reunião (não se sabendo se houve) da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira cujos desdobramentos a opinião pública conhece.
O jornalista afirma - referindo-se à Assembleia - que ''os maiores interessados em esconder dados são os próprios parlamentares''. Isso inverte o postulado da propagandeada transparência, embora a proposta de que tudo seria posto às claras sobre o que fazem e dizem esses representantes do povo e o dinheiro que gastam. O depoimento do entrevistado, de que as informações nesse portal são mais opacas do que claras, tira credibilidade desse relatório quanto à plenitude da verdade porque fica-se sabendo apenas de uma parte. Mas, com transparência total ou apenas meia transparência, o ponto fundamental nem é apresentar um relato do que os deputados consomem e sim questionar-se por que eles gastam tanto. E não apenas a Assembleia paranaense, mas todo o sistema parlamentar no Brasil e, no geral, muitos outros setores que têm a marca de poder público. Apenas conhecer o tamanho das despesas evitáveis, que são sabidamente grandes, mais os salários elevados e as abundantes verbas de representação, não ameniza o bolso do contribuinte, que é afinal o que paga a conta. O que se espera é o milagre de a máquina governamental, como um todo, diminuir seu exagerado custo. Essa pálida amostragem de transparência apenas se soma ao que já é conhecido - que o povo paga caro para manter a onerosa estrutura governamental.
Então, enquanto se fica gastando energia para discutir detalhes, foge-se do principal, que é a máquina gastadora e desperdiçadora que consome fortunas com elevados salários, assessorias em excesso, nepotismo, verbas de ajuda excedendo as necessidades, corrupção, tudo isso consumindo dinheiro bom que poderia servir a causas sociais e à realização de obras indispensáveis.
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