Mais municípios, mais empreguismo e corrupção
A lavoura dos parlamentares e dos administradores públicos é o poder, porque dali eles extraem sua colheita, sempre generosa e que independe de intempéries, de pragas, de insumos e da oscilação dos mercados. Já foi escrito, com base em estudo de analistas, que as três coisas mais rentáveis no Brasil são (e não necessariamente nessa ordem) o sistema financeiro, o fabrico e o tráfico de drogas, e ser governo. Agora os parlamentares querem aprovar emenda constitucional que devolve aos estados a competência para criar novos municípios.
Nas 24 assembléias legislativas encontram-se propostas adormecidas que, se aprovadas, criam 806 municípios, com o ônus de o povo ter de sustentar o número correspondente de prefeitos, 7.200 vereadores, mais os secretários municipais, o funcionalismo, as instalações físicas, mordomias e roubalheiras. Não se iludam os brasileiros, porque os políticos estão propensos a aprovar essa lei (que já passou triunfante na Comissão de Constituição e Justiça) e as assembléias irão aprovar a geração das novas comunas.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, não se pronunciou contrário, limitando-se a questionar algumas restrições da proposta, relativas a índices populacionais. Esperava-se dele posição contrária pela previsão da enxurrada de gastos com novos municípios. Duas décadas atrás havia no Brasil 8 milhões de pessoas dependentes do serviço público, aí incluídos os governantes e todo o quadro nacional do funcionalismo. Acredita-se que hoje o número esteja beirando os 10 milhões, porque tem havido constante aumento de funcionários, muitos úteis e outros não. Foi o então ministro do Planejamento, Mário Henrique Simonsen, quem declarou na época que daqueles 8 milhões, metade poderia ser dispensada (incluindo metade dos políticos), o que resultaria em economia e melhor desempenho do serviço público.
A criação de mais municípios aumentará o ônus do povo, significando a necessidade de mais impostos para atender à demanda. Provou-se que o atendimento público piorou na maioria dos municípios novos com relação ao tempo de distritos, porque a baixa arrecadação mal paga o pessoal burocrático e a estrutura física, que antes não existia. O ideal - embora isso pareça utopia - seria exatamente o contrário: os pequenos municípios retornarem à dependência dos municípios de origem.





