Mais longo e seguro
Falta de educação, pressa, desatenção ou o somatório de todos esses fatores. Fato é que a relação entre pedestres e veículos parece estar cada vez mais tensa. Há desrespeito por todos os lados, sendo que a parte mais frágil fica mais exposta às consequências de um acidente.
Dois casos abordados pela reportagem desta FOLHA nesta semana mostram como os pedestres preferem correr risco de vida a utilizarem soluções que promovem mais segurança ao trânsito.
Em Cambé a reivindicação era antiga e se tornou ainda mais eloquente há dois anos após duas meninas morrerem atropeladas durante uma travessia entre os trilhos. Quando atravessavam, o trem se movimentou e as crianças caíram.
Houve protestos, cobranças da sociedade e uma trincheira foi construída para dar mais segurança ao vaivém diário, tanto para quem anda a pé quanto para quem está motorizado. A obra com mais de 430 metros de extensão custou cerca de R$ 4 milhões e foi inaugurada há pouco mais de um mês.
Reivindicação atendida, segurança reforçada, só que muitos pedestres, inclusive crianças, continuam se arriscando entre os trens. Contam com a sorte e mostram grande desrespeito à própria vida.
Em Londrina as passarelas são abandonadas pela população. Nas rodovias PR-445 e BR-369, no perímetro urbano, as alternativas são rejeitadas pela maioria, que prefere arriscar-se entre os veículos que trafegam em alta velocidade. Os não usuários alegam falta de manutenção da estrutura e insegurança. O poder público e as concessionárias de rodovias precisam manter as pontes em perfeito estado de uso.
Mas nos dois casos, há outra desculpa em comum: passar pela trincheira ou pelas passarelas é mais longo. Para reverter essa situação é necessário fazer um trabalho de orientação mais eficaz. É necessário acabar com essa verdadeira loteria mortal que também ocorre em outras regiões do Estado.





