Muitos alimentos indicados para o público infantil não possuem orientação nutricional adequada para esse público. É o que constatou o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) após realizar um levantamento de rotulagem de vários produtos com apelo direto às crianças.
No levantamento foram avaliadas as tabelas nutricionais de oito produtos que as crianças gostam de consumir, mas a maioria trazia na embalagem apenas as referências nutricionais de um adulto. Essa situação pode confundir os pais, pois poucos sabem que os Valores Diários Recomendados (VDR) de nutrientes para seus filhos devem ser menores. Tomando como exemplo o sódio: um produto que tem níveis adequados para um adulto, pode conter uma quantidade demasiada desse nutriente para uma criança.
O Idec pretende promover um debate sobre a deficiência de informações nos rótulos de alimentos para crianças com a participação de especialistas da área e de órgãos do governo. Esse primeiro passo no sentido de melhorar a informação para o consumidor é importante. Mas é preciso que se crie uma lei obrigando a indústria alimentícia a prestar mais esclarecimentos na embalagem dos próprios produtos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já regulamentou que os alimentos devem trazer na embalagem as informações nutricionais, porém, não existe regra específica obrigando a indústria a fornecer as orientações de acordo com as diferentes idades. Algumas empresas até disponibilizam esses detalhes em seus sites, mas não é o ideal. Os pais deveriam ter acesso às informações completas no ato da compra e não serem obrigados a entrar na internet para obter a orientação.
Informações completas e de fácil acesso são uma forma de respeito ao consumidor. No caso dos alimentos direcionados às crianças, trata-se de uma maneira importante de se combater a obesidade e os hábitos alimentares inadequados.

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