Conforme esperado por lideranças da área de varejo, o governo federal decidiu prorrogar a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca, fazendo, porém, uma recomposição das alíquotas. A medida agradou o setor. Horas antes dela ser anunciada, representantes do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) saíram apreensivos de uma reunião, em Brasília, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Havia preocupação que o benefício fosse retirado por completo, voltando ao patamar anterior a dezembro de 2011, quando começou a vigorar a isenção. Segundo os dirigentes do IDV, Mantega teria manifestado dificuldades em manter o desconto e sinalizado com a necessidade de ajustes fiscais.
O corte no IPI ficaria em vigor até domingo e a prorrogação valerá até 31 de outubro. A medida mostra que o governo continua apostando nas isenções fiscais como forma de estimular o consumo e o crescimento econômico. Porém, o recado do Ministério da Fazenda foi claro: o governo entendeu que precisa manter os níveis de consumo, mas não pretende mais abrir mão da receita proporcionada pelo IPI. No caso da linha branca, a recomposição das alíquotas vai significar receita de R$ 118 milhões ao governo.
A alíquota do imposto incidente sobre fogão subirá de 2% para 3%. Para o tanquinho, de 3,5% para 4,5%; geladeiras, de 7,5% para 8,5%. A alíquota de 10% para lavadoras continuará no mesmo patamar. Há o comprometimento do varejo e da indústria em acomodar a recomposição das alíquotas nos preços atuais para não prejudicar as vendas e nem pressionar ainda mais a inflação. Se o compromisso não for respeitado e se as lojas reajustarem os preços, haverá um forte motivo para o ministro Guido Mantega se preocupar. Isso porque, a estimativa de inflação para este ano acaba de ser elevada pelo Banco Central para 6% - bem perto da meta máxima, estimada em 6,5% para 2013.

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