Mais etanol à gasolina
Desde ontem a gasolina consumida pelos brasileiros têm mais etanol. Conforme definido pela Agência Nacional do Petróleo, o percentual de aumento subiu de 20% para 25% por prazo indefinido. Longe de beneficiar o consumidor, uma vez que não há qualquer projeção de queda do preço da gasolina nas bombas, a medida visa tão somente beneficiar a própria Petrobras, que terá que importar menos gasolina para atender o mercado interno. As usinas sucroalcooleiras também terão vantagens, uma vez que não ficarão com excedente de álcool anidro (produto adicionado à gasolina) em estoque.
A Petrobras tem anunciado sucessivos prejuízos na área de abastecimento, explicado pelos "maiores custos com aquisição/transferência de petróleo e importação de derivados, refletindo a depreciação cambial e maior participação de derivados importados no mix das vendas". Estes dados desmentem o anúncio feito em 2006 ainda durante o governo Lula de que o Brasil havia se tornado autossuficiente em petróleo. Naquele ano foi divulgado que a produção chegaria a 1,8 milhão de barris diários, a partir do início da operação da maior plataforma da empresa: a P-50. Agora, ao relembrarmos a imagem do presidente com as mãos sujas de petróleo veiculadas em toda a imprensa, pode-se afirmar que tudo não passou de propaganda enganosa.
Além da Petrobras, há a questão de melhorar a lucratividade das usinas. Incentivo ao programa nacional de bioenergia é indiscutível e inquestionável. No entanto, não se pode arcar com todos os prejuízos da iniciativa privada. Se houve problemas de má gestão ou de falta de planejamento, como afirmou anteriormente um especialista à FOLHA, cada empresa tem que arcar com esse custo. O governo não pode resolver falhas como essa. O entusiasmo dos consumidores com os carros flex só reduziu porque o etanol deixou de ser vantajoso. Portanto, medidas como essa, só terão efeito se beneficiarem todos os elos da cadeia.





