Mais do que paisagem, um patrimônio a preservar
O Cadastro Municipal de Árvores Imunes ao Corte pode se tornar um instrumento de educação ambiental
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
O Cadastro Municipal de Árvores Imunes ao Corte pode se tornar um instrumento de educação ambiental
Folha de Londrina 
As cidades precisam preservar as suas árvores em uma rede de cuidados que deve envolver poder público e sociedade. São muitas as razões para que as prefeituras se preocupem com a arborização da área urbana, pois ela é fundamental na qualidade de vida dos moradores.
As árvores urbanas ajudam na regulação térmica, na qualidade do ar, no destino das águas pluviais, servem de refúgio e alimentos para pássaros e insetos e até mesmo na valorização dos imóveis.
Em Londrina, a população está sendo convidada a opinar sobre o projeto de lei nº 139/2025, que institui o Cadastro Municipal de Árvores Imunes ao Corte. A proposta objetiva identificar, proteger e divulgar informações acerca de exemplares que apresentem características especiais, como raridade, antiguidade, beleza cênica e relevância histórica, paisagística, ecológica ou científica.
Pelo projeto, que incluiu a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) como responsável pelo cadastro das árvores, será proibido o corte e poda drástica a não ser em situações específicas de risco à segurança pública ou à saúde.
A ideia é que todas as árvores incluídas nesse cadastro apresentem uma placa informando a espécie, nome científico, família e origem, como a já presente no antigo pau-brasil que fica na Praça da Bandeira, região central.
A nível federal, o Novo Código Florestal estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação nativa no Brasil, definindo espécies resguardadas por lei. Entre elas, estão a peroba-rosa, castanheira, seringueira, o jacarandá-da-bahia, pau-brasil, mogno e jatobá.
Entre os deveres da secretaria, se o Cadastro for instituído, está a realização de vistorias técnicas para a avaliação dos exemplares arbóreos e a emissão de pareceres técnicos para a declaração de imunidade ao corte, além da disponibilização, no Portal da Transparência e site oficial do município, da lista atualizada das árvores protegidas, com localização, espécie, características relevantes e data de inclusão.
Qualquer cidadão, entidade da sociedade civil ou órgão público poderá solicitar a inclusão de um novo exemplar no cadastro, mediante requerimento fundamentado e acompanhado de documentação técnica.
Ao abrir esse debate e convidar a população a participar, Londrina dá um passo importante para consolidar uma política pública que reconhece as árvores como patrimônio coletivo, e não como obstáculos ao crescimento urbano. O Cadastro Municipal de Árvores Imunes ao Corte pode se tornar um instrumento de educação ambiental, transparência e corresponsabilidade, estimulando o cuidado permanente com exemplares que contam a história da cidade e ajudam a projetar um futuro mais sustentável.
Proteger árvores é proteger pessoas e o meio ambiente, cuidar da paisagem urbana e pensar na qualidade de vida das próximas gerações.
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