As manchetes que a FOLHA estampou ao longo deste mês mostram o tamanho do rombo no bolso do consumidor paranaense, em especial no dos londrinenses: ''Etanol sobe 10% no Paraná'', dia 9; ''Etanol tem alta de 15% em três semanas'', dia 16; ''Postos sonegaram até R$ 300 milhões'', dia 17; ''Consumo de etanol cai 40% no Paraná'', dia 25; ''Preço da gasolina sobe e já começa a faltar'', dia 29.

Não é de hoje que o preço dos combustíveis segue uma lógica difícil de ser compreendida pela maioria das pessoas. Em fevereiro, o Sindicato de Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR) afirmava que, depois do Carnaval, com o início da safra de cana, o preço do litro do etanol cairia até R$ 0,50.

O que se viu foi exatamente o oposto. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana terminada em 26 de março, o Paraná registrou a segunda maior alta do combustível em todo o território nacional. A pesquisa identificou que o reajuste nos postos paranaenses chegou a 6,69%, só perdendo para a elevação registrada no Distrito Federal, que foi de 9,2%.

Parte da explicação para esta alta está na baixa produção da safra 2011/2012 de álcool no Estado. A Associação dos Produtores de Bionergia do Estado do Paraná (Alcopar) aponta que foram produzidos 5,8 milhões de litros de etanol anidro e hidratado até a primeira quinzena de março, 16% do volume total produzido no mesmo período do ano passado, quando atingiu 36,6 milhões.

Mas, além disso, um ingrediente internacional está entrando no cálculo deste aumento. O açúcar está em alta no mercado internacional - o preço quase dobrou nos últimos 12 meses, o que fez com que muitos produtores brasileiros de cana optassem pela produção desta commodity. E a equação respinga na gasolina, que tem até 25% de álcool em sua composição.

A resolução do problema dos preços dos combustíveis não é fácil, mas exige seriedade, principalmente em um país como o nosso, que é basicamente rodoviário. Ter um programa de combustível ecologicamente correto há mais de 35 anos não pode ser apenas uma jogada de marketing. É preciso dar garantias de que rodar agredindo menos o meio ambiente sai mais barato, como já o fazem governos europeus, asiáticos e norte-americanos.

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